Líder da quadrilha fugiu em um avião particular
Telma Elorza
De Londrina
O assaltante de caminhões e suspeito de envolvimento em assaltos a carros-fortes na região, Marcelo Moacir Borelli, é o líder da quadrilha que roubou cerca de R$ 4 milhões da Proforte Transportes de Valores, no último sábado, em Londrina. A afirmação feita por dois suspeitos do assalto, presos em Curitiba (ver matéria nesta página) , foi confirmada ontem pelo delegado-operacional da 10ª Subdivisão de Polícia (SDP) de Londrina, Valdir Abrahão da Silva. Borelli está foragido.
Os dois supostos integrantes da quadrilha, cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo pela Polícia, confirmaram em depoimento que o líder do grupo é Borelli. Ele teria fugido para o Mato Grosso na noite de segunda-feira levando cerca de R$ 800 mil. Borelli usou um avião particular para escapar. O plano para assaltar a empresa Proforte estaria sendo estudado há pelo menos oito meses.
Segundo o delegado, Borelli teria sido visto na empresa Torino Diesel, onde os assaltantes mantiveram em cativeiro três funcionários da Proforte e seus familiares. Borelli esteve envolvido no roubo da carga que foi encontrada na Torino Diesel, em 1997. E a esposa do Osvaldo Cestário (proprietário da empresa) confirmou em declaração que Borelli esteve na empresa, dias antes, conversando com seu marido, afirmou.
Para Abrahão, o acusado também participou da tentativa de assalto ao carro-forte no Aeroporto de Londrina, no ano passado. Não resta dúvida que ele é extremamente perigoso e organizado. Estamos convencidos que ele é o mentor intelectual deste assalto à Proforte e que está envolvido no caso do aeroporto, disse.
Segundo o delegado, a Polícia Federal prendeu Borelli há cerca de 90 dias, sob acusação de roubo de cargas, mas ele fugiu em seguida. Ele tinha sido encaminhado para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil de Curitiba, para investigações sobre o roubo ao carro-forte de Uraí (Norte Pioneiro), que ocorreu há cerca de quatro meses, disse.
A Polícia Civil não apresentou, ontem, Osvaldo Cestário e seu filho Valdenir (e não Valdemar, como divulgado anteriormente), envolvidos no assalto à Proforte. O delegado Abrahão justificou que o trabalho na 10ª SDP foi em regime de plantão e não haveria policiais suficientes para escoltar os dois da Prisão Provisória onde se encontram detidos até a delegacia central.
Osvaldo Cestário e seu filho foram presos na manhã de sábado e autuados em flagrante, no interior da empresa. Eles foram indiciados por sequestro, cárcere privado, co-autoria em roubo e porte ilegal de arma de fogo. Com os Cestário foram apreendidas duas armas um revólver Taurus calibre 38 e uma pistola 9 milímetros, de origem alemã, além de munição para as armas.
Para o delegado-operacional não há dúvidas que Osvaldo Cestário está envolvido nos crimes. O filho talvez nem tanto, mas o pai foi conivente com os assaltantes, facilitando o crime, disse. Afinal, sua residência é dentro da Torino Diesel, a menos de 20 metros do barracão onde os reféns foram mantidos em cativeiro. Era impossível que ignorasse toda a movimentação que se passa dentro da sua casa, afirmou.
Os dois suspeitos não prestaram depoimento, valendo-se do direito de só falarem em juízo. Mas em uma conversa informal, no momento do flagrante, Osvaldo disse estar com muito medo de Borelli, garantiu.
O delegado disse que a polícia vai investigar a possível participação de funcionários da transportadora de valores no envolvimento do crime e também o porquê da empresa Proforte ter tanto dinheiro em seus cofres durante um final de semana. São fatos que precisam ser esclarecidos, adiantou.
Abrahão também divulgou as fotos Polaroids encontradas pela polícia na empresa Proforte. As fotos foram feitas pelos assaltantes e mostram os reféns subjugados. (Colaborou Dimitri do Valle).





