Londrina
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no norte do Paraná, Josmar Choptian, condenou ontem a ação da polícia na reintegração de posse da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), realizada domingo. Cerca de 100 policiais militares retiraram as famílias sem terra acampadas há 45 dias na área. Elas foram transferidas para os municípios de origem, no Sudoeste do Estado.
Para Choptian a reforma agrária não é caso de polícia, mas sim de competência do Incra. ‘‘A polícia não tinha porquê se meter. Ninguém é ladrão. A prisão dos cinco sem-terra foi política’’, disse. Quanto às denúncias dos sem-terra de que teriam sido enganados pelo MST e sindicatos de trabalhadores rurais do sudoeste, ele garante que foi motivada pelo desespero de quem estava preso. ‘‘Eles vão desmentir o que disseram à imprensa. Conversei e eles garantem que falaram aquilo porque estavam com medo e sofrendo muita pressão da polícia’’, afirmou.
Choptian informou ainda que as famílias levadas para Realeza e Santa Isabel do Oeste já foram localizadas por membros do MST e nos próximos dias serão levadas para outros acampamentos.
‘‘Não seremos mais pegos de surpresa. Em todos os acampamentos ficaremos de prontidão 24 horas por dia. O caso de Alvorada do Sul não voltará a se repetir’’, disse. Choptian citou duas áreas que correm risco de desocupação: a Fazenda Jacutinga, em Porecatu, e a Santa Maria, em Primeiro de Maio (norte do Paraná).
Ontem à tarde o advogado do MST entrou com pedido de relaxamento da prisão na comarca de Bela Vista do Paraíso. Na sexta-feira, o promotor de Justiça de Bela Vista, Carlito Antônio Rupp, apresentou denúncia contra os seguranças da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, Samir Marçal Nacour, 21 anos, e Paulo Sérgio Pereira Costa, 25 anos, além de Manoel Palma Neto, 33 anos, irmão do arrendatário Homero Palma. Os seguranças foram presos no final de agosto com revólveres e vão responder por porte ilegal de arma. Neto foi denunciado por ter cedido os revólveres.
O juiz de Bela Vista de Paraíso, Hélder José Anunziato, marcou para hoje, às 8h30, uma audiência para decidir se o processo será suspenso ou não e onde serão ouvidos os três denunciados. Carlito Antônio Rupp afirmou que fez a denúncia para garantir a ordem pública. ‘‘A lei vale para os dois lados e eles se armaram ilegalmente’’, comentou.

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