Líder comunitária de Cambé morre vítima de hepatite
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Lúcio Flávio Moura De Cambé 
A líder comunitária Maria Anideji de Mello (foto) deve ser sepultada na manhã de hoje em Cambé (13 km a oeste de Londrina) após um protesto dos moradores da cidade contra a falta de investimento na saúde pelo poder público.
Maria morreu na manhã de ontem aos 46 anos, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Londrina, vítima de insuficiência renal e hepática, além de uma sepcetimia (infecção generalizada), decorrente de uma hepatite medicamentosa provocada pelo tratamento contra a hanseníase. Mais velha de seis irmãos, Maria, que nasceu em Igreja Nova, Alagoas, de onde veio para o Norte do Paraná com um ano, deixa marido e quatro filhos.
Segundo Álvaro Jabur, médico que assinou o atestado de óbito da líder comunitária, a paciente já chegou em estado gravíssimo ao Evangélico, na terça-feira. Ela estava internada desde o dia cinco de janeiro no Hospital Universitário de Londrina. Os sintomas da hanseníase se intensificaram nos últimos 20 dias.
A morte comoveu o Jardim Tupi, bairro periférico onde Maria foi presidente da associação de moradores, e companheiros da Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos da Saúde, entidade fundada pela líder há três anos. A principal bandeira da associação era a reabertura do Hospital Londrina, desativado pela Golden Cross em 1997.
Com dificuldades financeiras desde a infância, ex-professora de 1º grau, Maria dedicava mais tempo à luta pelo atendimento médico para a população carente do que à família, segundo os próprios filhos e irmãos. Tudo teria começado após um drama que a líder comunitária passou quando precisou de um atendimento de emergência para uma das filhas na Santa Casa de Cambé.
Maria também marcou época como presidente da Associação de Moradores de Esperança do Norte, localidade rural de Alvorada do Sul.


