O líder dos acampados na fazenda Pinhal Ralo, Milton Rodrigues dos Santos, 25 anos, voltou a dizer que os sem-terra serão ‘‘obrigados’’ a recorrer à força se o Governo do Estado não punir os culpados pelo assassinato de dois lavradores na última quinta-feira. Ele fez a afirmação horas depois do crime, na frente de centenas de acampados, e a repetiu no velório de uma das vítimas, anteontem. ‘‘É o terceiro atentado, agora com duas mortes. Se não temos lei para os criminosos, então nossa defesa será o ataque’’, disse à imprensa.
A violência do último conflito - testemunhas dizem que foram disparados mais de 100 tiros - deixou as famílias de sem-terra assustadas. Desde que souberam de detalhes do tiroteio, as lideranças fizeram sucessivas reuniões com diferentes grupos, para reforçar a segurança da área. Até anteontem, a polícia desconfiava que havia pistoleiros embrenhados na mata, mas a grande extensão da área e a falta de pessoal impedem um rastreamento na fazenda.
Milton dos Santos disse ainda que a situação de Rio Bonito do Iguaçu pode chegar ao ponto do ‘‘massacre do Parᒒ, não pela polícia mas por jagunços. Segundo ele, nos atentados anteriores duas pessoas saíram feridas e ninguém foi preso. ‘‘Se as mortes de agora foram represálias dos jagunços, por conta própria, ninguém está seguro aqui’’.

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