Lidar com diferenças não é tarefa fácil
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quinta-feira, 03 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Dentro de sala de aula, não importa se o aluno é negro ou branco. Também não tem diferença se é rico ou pobre. Seguindo o raciocínio, tanto faz se é hetero, bi ou homossexual. Entretanto, conseguir lidar com as diferenças não é tarefa fácil aos professores. ''Basta respeitar como pessoa. Não há modo específico de trabalhar com os jovens homossexuais, tem que dar atenção, carinho e respeito, que é o que todo mundo merece'', ensina o presidente do Grupo Dignidade, uma organização não-governamental de Curitiba, Toni Reis. Ele é também secretário geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros.
Reis esteve ontem, em Londrina, ministrando oficina a cerca de 100 professores, assistentes sociais e profissionais de saúde que participam do Grupo de Estudos sobre Educação Sexual (Gees), coordenado pela professora Mary Neide Damico Figueiró, do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O grupo integra o programa nacional ''Brasil sem Homofobia''.
Segundo uma pesquisa realizada em 2000 pela Unesco, e apresentada ontem por Reis, 40% dos adolescentes homens e 15% das meninas não gostariam de ter um homossexual na sala de aula. Entre os pais, 35% não gostariam que o filho tivesse colegas de sala homoafetivos. ''Isso revela a situação real do país, entretanto devemos respeitar os valores individuais de cada adolescente, por isso os professores precisam se preparar para lidar com o diverso'', ressalta.
A mesma pesquisa aponta ainda que 70% dos pais e 60% dos professores garantem que não têm informação e formação suficientes para lidar com situações de homoafetividade. Por isso, Reis defende que a sexualidade precisa ser abordada na escola e este trabalho deve ser realizado sob quatro aspectos: biológico, psicológico, social e cultural. ''Os educadores já começam a tratar a sexualidade em sala de aula não somente do ponto de vista biológico. Nós estamos aqui para ajudá-los a reconhecer e trabalhar com seus conceitos'', afirma.
Mary Neide completa: ''em oito anos trabalhando com o Gees, percebi que a homossexualidade é o ponto que os professores mais têm dificuldade, por isso essa parceria com o programa nacional e a importância do Toni Reis aqui''. Ela destaca, porém, que também percebe uma procura maior destes profissionais em se aprimorar. ''Muitos educadores enxergam os homossexuais ainda como pecadores ou doentes, por isso esse trabalho não é só informativo, mas principalmente formativo'', enfatiza.
Uma nova discussão sobre o assunto está marcada para o próximo mês, quando será realizado o 2º Simpósio de Sexualidade e Educação Sexual. São esperados, em Londrina, profissionais de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.


