Uma das primeiras lições que os estudantes aprendem na escola é que não adianta teimar com a gramática. Ela sempre terá um argumento para justificar as suas regras e exceções.
Ainda bem que se por um lado a gramática não perdoa ninguém os métodos de ensino vêm em socorro dos que estão começando a escrever as primeiras linhas, tentando facilitar o aprendizado. Jean Piaget, Emília Ferreiro, entre outros construtivistas, ajudam os alunos do ensino fundamental das 69 escolas municipais da zona urbana e outras 11 na zona rural a apertarem a ponta do lápis nos primeiros parágrafos do conhecimento da língua portuguesa.
Para preencher as páginas desse conhecimento, que pessoas adultas e até com formação universitária ainda derrapam, aprender a juntar as letras ''b'' com ''a'' e ''l'' com ''a'' para formar a palavra ''bola' pode levar até dois anos.
''Mas a maioria dos estudantes do ensino fundamental sai da primeira série sabendo ler e escrever'', ressalta Elaine Pozzobon, 36 anos, supervisora de ensino da Escola Doutor Joaquim Vicente Castro, no Conjunto Cafezal (Zona Sul), a maior escola da rede municipal de ensino, com 979 alunos do pré-escolar à quarta série do fundamental.
Elaine lembra que os alunos passam para a 2 série automaticamente e que nessa etapa do fundamental o índice de repetência é de 5%. ''Geralmente, os problemas de aprendizagem estão relacionados com famílias desestruturadas e falta de acompanhamento familiar'', destaca a supervisora.
Há 12 anos, a professora Eliane Levorato, 39 anos, ensina o bê-a-bá para as crianças, apontando as letras com o mesmo som caso do ''x'' e ''ch'' como vilãs da ortografia. ''Muitas crianças escrevem do jeito que falam, o que dificulta aprender principalmente a concordância verbal. Então, o aprendizado vem com o treino. Trabalhamos com dicionários, pesquisas, textos ortográficos. É um trabalho a longo prazo'', destaca a professora.
Stefhany Cristiane Lourenço, sete anos, aluna da segunda série do fundamental diz que confunde o ''s'' e o ''z'' na hora de escrever. Quando a coisa fica mais difícil sabe a quem apelar. ''Peço ajuda para a minha mãe. Quando ainda fico com dúvida peço ajuda para a professora'', lembra a menina, que também tem como um de seus melhores amigos o velho Aurélio.
Estudante da mesma escola na periferia londrinense, Jair da Silva Filho, oito anos, da segunda série, conta que tem computador em sua casa e que costuma brincar com jogos de memória, além de gostar de ler livros e gibis. ''Não acho difícil ler e escrever'', atesta o garoto, que já descobriu que a leitura é uma agradável maneira de por um ponto final nos erros de português. (C.A.)

mockup