Lições para não esquecer
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sábado, 16 de setembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Cerca de 50 funcionários da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) receberam treinamento, na manhã de ontem, para melhorar o atendimento às pessoas com deficiência. Desde o primeiro semestre deste ano, 100 ônibus adaptados circulam pelas ruas do município. ''Ter os ônibus já foi importante para possibilitar o acesso da pessoa com deficiência; agora, o objetivo é que estes funcionários prestem o serviço com qualidade'', explicou a encarregada do setor de Recursos Humanos da empresa, Maria Luiza Martins.
A intenção da TCGL, segundo afirmou, é treinar os cerca de 1.300 empregados que trabalham diretamente nos ônibus. Os cursos deverão acontecer a cada duas semanas, sempre aos sábados, na sede da Associação dos Funcionários da Grande Londrina (Afugel). Os motoristas e cobradores participam de dinâmicas que simulam situações que envolvem pessoas com deficiência.
''Queremos conhecer a concepção que estes fucnionários têm sobre a deficiência para então podermos dar orientações sobre como lidar com cada situação'', acrescentou Nanci Skau Kemmer de Moraes, membro do Conselho Municipal dos Diretos das Pessoas com Deficiência e coordenadora das atividades realizadas ontem.
Ela explicou que a ação desenvolvida trata das deficiências visual, auditiva, física e até mental. ''Apesar de todas mereceremm atenção, ainda acredito que a deficiência física requer bastante cuidado no dia-a-dia destes motoristas e cobradores porque muitas pessoas dependem deles até para entrar no ônibus, mantendo o veículo ficar parado e exigindo paciência dos demais usuários''.
O cobrador Edson José Alves, há sete anos funcionário da empresa, acredita que essa sensibilização será importante para que ele saiba trabalhar a tolerância das pessoas não deficientes. ''Agora eu vou ter mais paciência com as pessoas com deficiência e também poderei motivar quem está a minha volta para ajudar'', afirmou.
Na dinâmica de ontem, Alves simulou ter deficência visual. Contou que a experiência é ''diferente'' e que a todo momento tinha vontade de tirar à máscara dos olhos. ''Foi interessante sentir na pele. Agora acho vou conseguir entender o que essas pessoas sentem. Vou dividir essa experiência em casa também, porque não compartilhar tudo com a família? Então acho que vai ser legal até para ensinar minha filha de nove anos''.
Sobre a experiência de treinamento dos funcionários da TCGL, Nanci Moraes acrescentou que é necessária também a participação da população. ''Estamos vivendo um tempo de inclusão. Ainda há muita coisa para fazer, mas o importante é cada pessoa começar a fazer a diferença'', orientou.


