Duas vezes campeão olímpico e dono de uma trajetória vitoriosa que inclui a superação da perda de uma perna em um acidente, o retorno às competições e uma extensa coleção de medalhas conquistadas depois do trágico episódio, o velejador Lars Grael demonstrou, em Londrina, que também possui um coração solidário. Na manhã de ontem, ele visitou um pequeno paciente do Hospital Universitário (HU) que, vítima da leucemia, também teve uma perna amputada por causa de uma infecção causada pela baixa imunidade.
A presença do atleta na instituição foi quase um acaso. Em Londrina para proferir uma palestra pelo ''6º Ciclo de Palestras da CBN'', ele foi questionado - durante o evento - pela pediatra Luísa Kazuko Moriya, que atende o garoto internado há 75 dias no hospital, sobre como contar a uma criança à respeito da amputação. Ao ser informado da história de Douglas, o pequeno paciente da médica, Grael ofereceu-se para visitar o menino e contar-lhe a própria história.
''Sempre me sinto gratificado em poder retribuir às pessoas que passam por situações traumáticas o apoio que tive quando precisei'', disse o atleta, que perdeu a perna direita há 11 anos, enquanto competia em Vitória (ES). O principal exemplo de superação veio quando ainda estava hospitalizado e foi atendido por uma enfermeira que, na tentativa de animá-lo, garantiu-lhe que voltaria a ter uma vida normal.
Grael não deu muita credibilidade às palavras da profissional, até saber que ela também tinha passado pela amputação de uma perna. E, a despeito da intercorrência, estudou, casou-se, teve filhos e chefiava uma das equipes de um conceituado hopital de São Paulo, o Albert Einstein. Além de tantas conquistas, ainda era atleta e praticava paraquedismo.
''A partir daí, minha família passou a trazer visitas de pessoas deficientes com muitas histórias diferentes de superação. Graças a elas, recuperei minha força de vontade e paixão pela vida'', contou. Três meses depois de deixar o hospital, ele retornou ao mar.
O que aconteceu depois é uma história de pequenas conquistas diárias que o levaram de volta aos pódios e, principalmente, à vida. ''Contrariei a lógica e voltei a velejar. A força de vontade não tem limites'', disse.
Ao visitar voluntariamente pacientes que enfrentam a mesma situação, o velejador espera mostrar que a reintegração à família, ao trabalho e aos esportes é possível.
Com a visita ao menino Douglas, ele tem o objetivo de motivar não apenas o garoto, mas também a equipe médica que, na opinião do atleta, vai tratar o caso com ainda mais carinho.

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