Lições de empreendedorismo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

As lições sobre empreendedorismo não são úteis apenas para quem quer ser dono do próprio negócio. Cultivar o espírito empreendedor torna mais fácil a vida no ambiente de trabalho para quem é funcionário público ou atua na iniciativa privada e até para quem é autônomo. Atitudes pró-ativas, capacidade de planejamento, pensamento crítico e conhecimentos sobre sustentabilidade podem fazer a diferença no mundo corporativo. E quando se aprende tudo isso na infância, maiores são as chances de alcançar o sucesso na vida profissional na fase adulta.
Desde o início deste ano, 27 mil alunos e 160 professores das 84 escolas municipais de Londrina participam do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP) e os primeiros frutos começam a ser colhidos agora. O programa é desenvolvido em parceria com o Sebrae. "Quando ele entra no mercado do trabalho ou quando resolve abrir uma empresa, já tem o conhecimento, a atitude empreendedora. Esse é o nosso objetivo", disse a consultora do Sebrae e gestora da linha estratégica de Educação Empreendedora do Sebrae/PR, Daniele Montenegro Conte. "Os resultados são bem expressivos e significativos e percebemos também uma mudança de comportamento na comunidade escolar, com uma participação maior nas atividades da escola." Além de Londrina, o JEPP funciona em outros 24 municípios da região.
"Eles aprendem que o empreendedorismo permite realizar sonhos, com comprometimento, persistência e buscando informações", afirma a professora Edenir Menezes, responsável pelo programa na Escola Municipal Eurides Cunha.
Na semana passada, os alunos do 3º ao 5º ano da escola, na Vila Recreio (região central), puderam colocar em prática as lições aprendidas ao longo do ano. Eles realizaram um evento para comercializar os itens pensados e confeccionados pela empresa criada por eles, a Top Organize. Nas turmas do 5º ano, a escolha foi por latas e embalagens de massa corrida decoradas com papel para servirem como organizadores. A ideia do produto foi da professora de Educação Física, Roseli Batista de Oliveira. "Tudo foi doado. Nós só compramos os papeis para decorar as embalagens. Despertamos neles a criatividade, incentivando o reaproveitamento de materiais que iriam para o lixo e mostrando que esses materiais podem servir para organizar a casa deles e também podem ser fonte de renda", afirma Roseli. Todo o dinheiro arrecadado com a venda será usado na compra de brinquedos que serão doados a crianças carentes que vivem em uma instituição.
Os alunos do 4º ano levaram para a feira o serviço de locação de brinquedos, empreendimento criado por eles em sala de aula e que foi implantado há alguns meses na escola para funcionar na hora do recreio, às terças-feiras. Além de brinquedos industrializados, as crianças alugam itens feitos por elas mesmas com materiais recicláveis. E a prestação de serviço também tem caráter solidário, já que o pagamento não é feito em dinheiro, mas em lacres de latinhas que posteriormente são doados ao Hospital do Câncer para ajudar na compra de cadeiras de rodas para os pacientes.


