Licitação termina sem surpresas
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2004
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Terminou sem novidades o processo licitatório para a exploração do transporte coletivo em Londrina. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) anunciou ontem, pela manhã, que os serviços continuam sob responsabilidade das empresas Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig.
As duas empresas, que já operam há décadas o serviço na cidade, foram as únicas que apresentaram propostas e foram qualificadas para participar da licitação. Apesar de se considerar surpreso com o pequeno número de participantes, o presidente da comissão de licitação e secretário municipal de Gestão Pública, Glaúdio Renato de Lima, disse que o procedimento de concorrência é histórico na cidade. ''A exploração do transporte coletivo nunca passou por uma licitação''.
Entre as novidades está a implantação do sistema de bilhetagem eletrônica que, para Lima, irá disciplinar o sistema e acabar com a venda ilegal de passes. Cartões com desconto, como os passes escolares, terão validade apenas dentro do percurso do usuário. As duas empresas se comprometeram a estar com o sistema instalado 30 dias após a assinatura do contrato de serviço. ''A CMTU havia dado um prazo máximo de 180 dias'', informou.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, explicou que, pelo novo sistema, os passes cedem lugar para cartões eletrônicos recarregáveis. Com isso, o usuário poderá trocar de ônibus em qualquer ponto sem ter que pagar uma nova passagem. Basta que ele respeite o tempo de validade do bilhete determinado a partir do momento em que o cartão passa pela catraca. Como exemplo foi citado que uma pessoa poderá ir ao supermercado e voltar para casa pagando apenas uma vez. Esse período de validade, segundo Sella, ainda não está definido e depende de uma pesquisa da CMTU sobre o tempo máximo de deslocamento entre os pontos de destino. ''Esperamos em seis meses estar com a logística definida'', afirmou.
Sella destaca ainda que o novo modelo de transporte coletivo trará mais vantagens para o usuário. O contrato prevê a reforma e a construção de pontos de ônibus. Nos principais locais de embarque da cidade, nomeados como Pontos de Integração, os abrigos serão mais confortáveis, com cobertura, assentos, lixeira e telefone público. No demais, os pontos serão cobertos. Um novo terminal regional será construído na Região Oeste, nas proximidades do Jardim Leonor. Outra benfeitoria será a instalação de escadas rolantes no Terminal Urbano de Transporte Coletivo, no centro da cidade.
As melhorias exigidas pelo contrato custarão cerca de R$ 8,5 milhões e serão pagas pelas empresas vencedoras. Sella garantiu que esse investimento não será repassado ao usuário. A tarifa custa hoje, em Londrina, R$ 1,60. Os diretores das duas empresas confirmam a informação e dizem que os recursos serão obtidos através de recursos próprios e empréstimos junto a instituições financeiras. Eles esperam que as melhorias no conforto, segurança e agilidade do serviço trarão de volta passageiros que optaram por outras formas de transporte.
As empresas garantem que a implantação da bilhetagem não provocará demissões. ''O contrato de serviço exige a manutenção dos postos de trabalho'', informou o presidente da Francovig, Francisco Henrique Francovig. Para ele, o motorista sozinho não tem condições de operar de forma eficiente. O diretor-superintendente da TCGL, Paulo Bongiovani, destacou que o cobrador ainda continuará com os recebimentos de passagens em dinheiro, além de cuidar do atendimento a pessoas deficientes, idosos e grávidas.


