Licitação feita pela Prefeitura de Terra Roxa (132 quilômetros ao norte de Cascavel) para contratação de uma empresa para serviço de propaganda e planejamento de mídia está sendo denunciada ao Ministério Público (MP) como fraudulenta, e os pagamentos decorrentes teriam beneficiado outra empresa, de uma pessoa com ligações familiares ao prefeito Ricardo Luzetti (PFL). O autor da denúncia é o vereador Agostinho Areco (PMDB), para quem o ‘‘crime contra a administração pública’’ deve ser apurado ‘‘com o afastamento do prefeito durante a investigação’’.
A representação apresentada ao MP relata que, para a licitação, a prefeitura utilizou a modalidade ‘‘carta convite’’, firmando contrato para propaganda e mídia com uma empresa de Curitiba (a C.A. Formighieri), com valor mensal de R$ 3 mil e vigência entre maio de 97 e janeiro deste ano. Segundo o vereador Agostinho Areco, o contrato da empresa na Junta Comercial do Paraná mostra que ela atua especificamente no ramo imobiliário, ‘‘o que nada tem a ver com a finalidade da contratação’’. Além disto, os pagamentos nunca foram feitos àquela firma.
Os valores teriam sido pagos à C.B. Marketing e Promoções, cujo endereço consta como a Rua Duque de Caxias, em Terra Roxa, e da qual aparecem como sócias duas mulheres, uma delas Orlanda Becker, irmã de Celso Becker, ‘‘cujas iniciais correspondem ao nome da firma’’. Ele é cunhado do prefeito Ricardo Luzetti. ‘‘A empresa é fantasma, e aquela rua nem existe na cidade’’, relatou Agostinho. Ele citou ainda que em uma nota fiscal de veiculações numa emissora de rádio, a empresa contratante, de Curitiba, aparece com o mesmo CGC da prefeitura.
Areco pede ao MP que requeira a quebra de sigilo bancário das empresas e seus sócios. A Folha procurou ontem na prefeitura quem pudesse explicar as acusações. O prefeito Ricardo Luzetti não foi encontrado. O seu secretário de Administração, Everaldo Fernandes da Silva, disse que o jornal receberia as explicações mais tarde, o que não ocorreu.

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