A ''novela'' da licitação para o serviço de recolhimento do lixo em Londrina vai completar um ano no dia 20 de julho. Por força de uma ação judicial, o processo foi suspenso em abril depois que os envelopes foram abertos e confirmado como vencedor o consórcio Copama deixando a cidade em situação precária no que se refere à limpeza das vias urbanas. ''As ruas só são limpas quando chove'', afirma Marco Antônio Bacarin, presidente da Comissão de Licitação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
A varrição das ruas era tarefa da Frente de Trabalho da prefeitura, informa Bacarin, mas com a determinação do Ministério Público de que os trabalhadores fossem dispensados e sem uma solução para o processo de licitação do lixo, a atividade não é feita sistematicamente há um ano. Enquanto o processo tramita na Justiça, o recolhimento do lixo está sendo feito, em caráter emergencial, pela empresa Vega Engenharia Ambiental.
O contrato de prestação de serviços da Vega, no entanto, não prevê a varrição de ruas. ''Isso está trazendo um problema sério à cidade'', reconhece Bacarin, ''com entupimento de bueiros e descarga de lixo no Igapó.'' Sem contar o prejuízo financeiro ao município, já que o contrato emergencial com a Vega custa R$ 510 mil por mês, enquanto a empresa aprovada na licitação seria remunerada mensalmente em R$ 538 mil. O serviço a ser prestado pela empresa incluiria, além da coleta e transporte de lixo residencial e hospitalar, a manutenção e operação do aterro sanitário e a varrição das principais vias públicas, calçadão e praças.
A estiagem acaba revelando a situação precária em que se encontra a limpeza do Calçadão. Para amenizar os problemas, os comerciantes estão promovendo por conta própria a limpeza do passeio em frente aos seus estabelecimentos. Um paliativo que de longe não esconde o problema. Embaixo das árvores a sujeira é mais visível, com os restos de folhas, sementes e até excrementos de aves. Restos de papéis vão se acomulando nas bocas de lobo.
O comerciante José Novaes, 40 anos, a cada oito dias faz a lavagem da calçada em frente ao seu quiosque. ''Faz um mês que não vejo ninguém lavar o Calçadão. Pelo menos que fizesse isso a cada 15 dias'', reclama Novaes, alegando que a varreção ocorre praticamente todos os dias no local. Próximo ao quiosque de Novaes, o comerciário Wollans Rodrigues, 19, diz que há uma semana não vê nenhum garí varrendo o Calçadão. ''Nós é que temos que varrer. É chato, porque pagamos os impostos justamente para contar com esse serviço'', cobra Rodrigues.

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