Vinte e nove empresas algumas até com capital estrangeiro já haviam retirado até sexta-feira o edital de licitação para os serviços de coleta de lixo, varrição pública e operação do aterro sanitário de Londrina. O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, informa que o prazo para retirar o edital termina quinta-feira.

De acordo com Sella, a concorrência tem uma característica diferenciada. O preço pedido R$ 650 mil, no máximo leva em conta o trabalho executado no mês e não o volume (toneladas/mês) de lixo recolhido. Para ele, com esse critério é possível evitar problemas como os ocorridos na administração passada a descoberta de ímãs em balanças, para aumentar o peso do lixo coletado, e a presença de funcionários para fiscalizar o descarregamento dos caminhões no aterro.

De Londrina, além da Vega Ambiental atual responsável pelo serviço , outras três empresas retiraram o edital. Sella admite que os critérios estabelecidos para o serviço de coleta estão provocando contestações. A CMTU vem se preparando não só para reclamações como também para ''batalhas judiciais'', garante. Segundo o presidente da companhia, as maiores reclamações seriam pela exigência de experiência comprovada de um ano na coleta de lixo numa cidade de 225 mil habitantes e o tratamento do lixo hospitalar. ''O município não quer ser campo de experiência no serviço'', diz Wilson Sella.

Para o empresário Max Lobato Sales, da empresa Sena Construções, de Londrina, as regras exigidas são complexas, mas ele acredita na possibilidade de atendê-las. Sales entende que não é preciso ser especialista na coleta do lixo, mas sim garantir um serviço de qualidade. Por isso, o empresário defende que uma empresa local assuma o serviço. ''Assim a população saberá a quem reclamar.'' Ele não se preocupa com o volume de empresas concorrentes, ''pois quanto mais interessados melhor será o preço oferecido''.

Já a empresa gaúcha PRT Prestadora de Serviços, de Santa Maria, apesar de ter retirado o edital, desistiu da concorrência. Segundo a administradora Marta Piovesan, o motivo é o valor do capital social exigido pela CMTU R$ 3,5 milhões. Ela justifica que a PRT possui um capital de R$ 1,5 milhão. ''A disputa só é possível para grandes empresas'' - afirma. Marta Piovesan informa que a PRT atua em 18 municípios gaúchos, dois na Bahia e mais um em Goiás. A empresa foi selecionada recentemente para disputar a concorrência da coleta em Porto Alegre.

O contrato de concessão da Prefeitura de Londrina com a Vega Ambiental venceu no dia 8 de julho. Dois dias antes do vencimento, a CMTU e a Vega acertaram um contrato-tampão de 90 dias para a coleta de lixo na cidade. A prefeitura pagará R$ 1,5 milhão à empresa pelos três meses de serviço.

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