Os estoques de carbamazepina medicamento utilizado para o controle de convulsões da secretaria de Saúde de Londrina devem estar normalizados a partir do próximo mês, informou ontem o diretor de serviços especiais da Autarquia Municipal de Saúde, Sérgio Canavese. Segundo o diretor, a secretaria de Saúde já fechou licitação com um laboratório e espera apenas pela definição de prazos para a entrega parcelada do remédio.
Na semana passada, fiscais da Vigilância Sanitária de Londrina recolheram os 350 mil comprimidos restantes da secretaria, de um total de 500 mil unidades compradas por licitação realizada no ano passado. O recolhimento do remédio, fabricado pelo laboratório carioca Cibran, foi determinado por resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no último dia 8. De acordo com o gerente da Vigilância Sanitária Municipal, Marcelo Viana de Castro, o recolhimento foi determinado pelas dificuldades na leitura dos prazos de validade.
No final de abril, a própria secretaria de saúde havia interditado o uso de 150 mil comprimidos, pelo memo motivo. Na ocasião, cerca de mil pacientes cadastrados na secretaria e que fazem uso do medicamento enfrentaram dificuldades para encontrar a carbamazepina na rede municipal de saúde. Canavese admitiu que, na ocasião, a farmácia municipal chegou a suspender o fornecimento do remédio por quatro dias.
''Ainda em abril fomos atendidos em caráter emergencial pela Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), com o fornecimento de 20 mil comprimidos de carbamazepina. Depois compramos o medicamento com dispensa de licitação para atender os pacientes até agora e, apesar de termos reduzido a oferta, não houve maiores problemas'', explicou Canavese. ''Com a licitação seguinte já fechada, deveremos receber, em breve, remédio suficiente para atender os pacientes normalmente pelos próximos seis meses'', continuou.
Usuário de carbamazepina para o controle de epilepsia há 12 anos, Luiz Fernando dos Santos Egídio, 36 anos, afirmou que o fornecimento do remédio nos últimos três meses não foi interrompido. ''Uso 120 comprimidos por mês e até agora esteve tudo normal'', confirmou.
Segundo Canavese, a secretaria de Saúde pretende acionar judicialmente o laboratório Cibran para reaver o dinheiro aplicado na compra da carbamazepina. O diretor não soube dizer qual foi o valor investido na aquisição. ''Eles venceram a licitação de dezembro de 2003, mas não forneceram o remédio em condições de uso, nem puderam repor o lote em tempo. O que queremos agora é ter o dinheiro da compra de volta'', contou. Canavese também disse que a Cibran está impedida de participar de processos licitatórios da prefeitura de Londrina.

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