Licença para vender hot-dog tem fila
Israel Reinstein
De Curitiba
Dez carrinhos de cachorro-quente ou de pipoca são instalados mensalmente em esquinas de Curitiba. Segundo o Setor de Fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo, existem 700 pontos de vendas de alimentos na cidade. Mas todo mês são registrados, em média, 30 pedidos de licença para instalação em novos pontos. Desse total, apenas um terço é atendido.
De acordo com o superintendente da secretaria, Luiz Fernando de Souza Jamur, a prefeitura dá prioridade aos pedidos de licenças das pessoas carentes. Dentro do processo de seleção, os dados sócio-econômicos têm um peso grande, diz. Geralmente são concedidas licenças para pessoas desempregadas e com renda familiar baixa. Além disso, elas devem morar há dois anos na cidade. Mesmo com essas exigências, existem pessoas com nível social melhor que solicitam autorização para conseguir seu espaço.
Apesar da crise de emprego, que atinge 18% da população economicamente ativa da Região Metropolitana de Curitiba, Jamur assegura que não houve aumento nos pedidos de licença. Há dois anos, o número de solicitações mantém-se o mesmo. Mas a procura não deixa de ser grande, avalia, informando que a licença é gratuita.
É o caso de Luís Francisco Nowatoroski. Ex-auxiliar de escritório, ele está há quatro meses com um carrinnho, em frente a Igreja do Cabral. Ele afirma que decidiu investir em cachorro-quente, quando passou a trabalhar com um amigo. Financeiramente, o trabalho foi proveitoso. Com as economias, comprou seu próprio carrinho. Com isso, batalhei e consegui autorização para trabalhar aqui, conta.
Nowatoroski diz que o trabalho de venda nas ruas é bom. Mas é muito trabalhoso e depende também do ponto de venda, diz. De acordo com ele, existem regiões e ruas da cidade que são consideradas mais rentáveis. Os mais requeridos são os da região central da cidade. Na Secretaria Municipal de Urbanismo, junto aos pedidos normais, existe também uma fila de 700 pessoas interessadas em montar pontos de venda em locais como a Rui Barbosa e nas imediações da Rua XV de Novembro. O Centro é considerado ponto nobre dos vendedores ambulantes de comida, afirma.
Segundo o vendedor Valdevino da Silveira, tem pessoas há três anos esperando para conseguir uma vaga no anel central. Proprietário, há dois anos, de um carrinho de cachorro-quente, o ex-chapeiro calcula que a cada dia cresce o número de concorrentes. Por enquanto, tem lugar para todo mundo, mas a prefeitura tem que liberar mais vagas nos pontos bons da cidade, reivindica.
Luiz Fernando Jamur explica que as liberações de licenças no Centro são raras. O motivo é que a prefeitura só concede nova licença se houver desistência de algum comerciante. Atualmente 100 pessoas trabalham nessa região.
Como a prefeitura não libera novas vagas na região central, existe um comércio negro de pontos na cidade. Um ponto na região central pode valer até R$ 5 mil. Na média, o custo varia entre R$ 1 mil a R$ 2 mil.
Se fosse pedir o ponto para a prefeitura não teria direito para trabalhar, diz a vendedora Sílvia. Ela, que prefere não divulgar o nome completo, conta que comprou o ponto de uma outra vendedora, que mudou de ramo. Dentro das exigências da prefeitura, ficaria de fora pela renda. Mas preciso trabalhar. Meu marido não consegue emprego desde o ano passado, afirma.Secretaria de Urbanismo recebe 30 pedidos de licença por mês, mas apen as um terço consegue autorização para vender alimentos
José SuassunaMelhor pontoValdevino da Silveira diz que conhece pessoas na fila de espera por uma vaga no centro há três anos





