O sacrifício é uma forma de devoção que pode gerar grandes frutos. Foi o que provaram as irmãs do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Com uma vida reclusa, sem vaidade e despesas mínimas, elas reúnem praticamente toda a renda mensal em um fundo único. Com esse dinheiro, R$ 2,9 milhões, conseguiram construir uma imponente escola em Florestópolis. As obras começaram no ano passado, e levaram dez meses. A cidade foi escolhida devido à baixa condição social de boa parte das famílias, que sobrevivem do trabalho nos canaviais.
Denominada Centro Integrado de Educação Sagrado Coração (Ciesc) Escola Social Clélia Merloni, a instituição tem 3 mil metros quadrados de construção, com 13 salas de aula, amplo pátio coberto, anfiteatro para 300 pessoas, capela, biblioteca, laboratórios, sala de artes, banheiros e rampas para cadeirantes. A quadra de esportes está em fase de finalização, e também está sendo construída uma residência para as irmãs, de 507 metros quadrados. Os R$ 2,9 milhões foram gastos apenas na construção da escola, sem contar todos os equipamentos para laboratório, computadores, carteiras, mesas, estantes da biblioteca e outros.
Na escola, as crianças têm acesso a toda a estrutura de um colégio particular, com a diferença de que é tudo gratuito, e direcionado justamente aos alunos que não teriam condições de pagar por tanto conforto. ''Nosso objetivo é atender à população de baixa renda, visando o bem da comunidade'', explica a irmã Anélia Bernardt, diretora administrativa da escola, lembrando que, apesar de ser católica, a escola atende também alunos de outras religiões. As aulas já começaram no dia 14, mas a inauguração oficial será no próximo dia 8.
Uma assistente social do município ficou encarregada de selecionar as crianças mais carentes para frequentar a escola, que hoje tem cerca de 180 alunos, divididos em oito salas de 1 à 4 série. Na instituição, as crianças têm merenda e livros didáticos gratuitos. ''Além disso, a partir de março, vão começar os projetos de informática, pintura, teatro, dança, coral, ginástica rítmica, esportes e apoio pedagógico, no período da tarde'', adiantou a irmã Jacira de Fátima Baldin, diretora pedagógica. As irmãs também pretendem criar um clube de mães, cedendo um espaço para que elas possam fabricar e comercializar artesanato.
As freiras ainda não têm uma previsão de qual será o montante total de despesas de manutenção, mas garantem que a escola social não vai receber nenhum tipo de verba governamental. ''Se não, viraria política, e não filantropia'', justifica irmã Jacira. Apenas o terreno para a construção foi doado pela prefeitura, que contribuiu também com parte do dinheiro para o asfalto, que deve ficar pronto em 60 dias.
A parceria com o município vem desde o ano passado. Antes de construir a sua escola, as irmãs pagavam o aluguel de uma outra escola de ensino fundamental, fechada em 2007. ''Também estamos estudando uma parceria com o município para oferecer educação de jovens e adultos (EJA) à noite, e cursinho pré-vestibular a partir do segundo semestre'', adianta Jacira.

mockup