Para muitos pais, as lições de casa trazidas pelos filhos são sinônimo de dúvidas e preocupações. O que fazer diante das dificuldades dos pequenos estudantes? Há aqueles que, quando dominam o assunto estudado, tendem a bancar o professor particular. Outros têm de se segurar para não fazer a tarefa pela criança. A importância do envolvimento paterno na vida escolar é consenso entre educadores, mas é preciso saber até que ponto essa interferência é benéfica.
''Os pais devem dar suporte para os filhos adquirirem autonomia. A criança deve ter uma boa base, uma bagagem que pode ser estimulada pelos pais à medida que dedicam parte do seu tempo a ler com os filhos e lhes oferecem bons livros. Nos primeiros anos a criança deve aprender a ler e também a interpretar'', defende a psicopedagoga londrinense Maria Aparecida Prizão Saporetti. Ela lembra que são comuns os casos de estudantes que crescem sem conseguir entender o enunciado de um problema.
A psicopedagoga recomenda que desde os primeiros anos a criança tenha horários preestabelecidos para estudar, disciplina, um local apropriado e uma agenda compatível com sua idade e seus horários. ''A criança também precisa de tempo para brincar, para praticar esporte e para ter contato com a natureza, o que vai permitir que ela tenha uma formação global, e não apenas de conteúdo intelectual.'' Também por isso, segundo Maria Aparecida, é preciso ficar atento para que a tarefa não preencha todo o tempo livre da criança. ''O papel da lição de casa é ser um reforço do conteúdo dado em sala, e jamais um castigo.''
Já os pais que na ânsia de ajudar ou proteger acabam fazendo a tarefa pelos filhos e até resolvendo problemas por eles estão tirando-lhes uma chance preciosa de aprender a ser autônomos. ''Quando os pais ajudam muito, a obrigação da tarefa passa a ser deles, impedindo que a criança se torne responsável. Além disso, muitos pais trabalham o dia todo, chegam em casa cansados, e a tarefa dos filhos pode acabar se tornando uma fonte de estresse'', diz a psicopedagoga.
Silvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, concorda: ''O ideal é que o pai dê subsídios para que a criança possa resolver a questão e saia de cena. É preciso estimular a autonomia''.
Pesquisa divulgada recentemente pelo movimento Todos Pela Educação revelou que 65% dos pais nas regiões metropolitanas acompanham com frequência a realização da lição de casa. Foram ouvidas 1.350 pessoas no Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal.
''Quando a criança chega com a lição perfeita porque o pai ou a mãe corrigiu, o professor perde a noção de quanto ela de fato aprendeu e do quanto precisa ser retomado'', explica Silvia. Para ela, a lição tem três papéis principais: exercitar uma competência que foi dada em aula, estimular hábitos de leitura e aprofundar um tema estudado por meio de pesquisa.
A especialista em práticas do ensino Neide Noffs, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tem o mesmo ponto de vista. ''A lição é um exercício de revisão'', diz. Neide admite que é difícil ver um erro e deixar passar, mas aconselha que o pai tente ajudar a criança a chegar sozinha na resposta certa. ''Se o filho não conseguir, a dúvida deve ser devolvida à escola''.
Edimara de Lima, coordenadora pedagógica da escola Prima Montessori, acredita que o principal papel dos pais é apoiar a criança nos treinos de leitura. ''Até que ela se torne um leitor fluente e tome gosto pela atividade é fundamental o apoio da família'', diz. Ela recomenda que os pais leiam em voz alta, enquanto a criança acompanha o texto com os olhos. (Com Agência Estado)

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