Boa Vista - Os índios macuxi contrários à homologação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua não querem mais a tutela da Fundação Nacional do Índio (Funai) e exigem, como condição indispensável para evitar novos conflitos, que policiais federais e funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deixem a área. A libertação, ocorrida no último sábado, dos quatro policiais federais tomados como reféns, depois de nove dias de cativeiro, reduziu a tensão, mas não diminuiu a animosidade.
''Se encontrarmos policiais andando pela área da reserva vamos prender de novo e amarrar'', ameaçou um dos líderes, Abel Barbosa, durante a reunião no Palácio do Governo, em Boa Vista para discutir o pacote de medidas compensatórias para Roraima.
Os dois líderes da Comunidade Flexal, Lauro Barbosa e Altevir de Souza, insistiram que, do governo federal, só querem parceria para a execução de projetos. A reunião foi presidida pelo governador Ottomar Pinto (PTB) e estavam presentes o superintendente da Polícia Federal, José Francisco Mallmann e dois enviados do governo: Celso Corrêa, o assessor da Casa Civil, e Camilo Menezes, do Gabinete de Segurança Institucional. Ninguém contestou os índios.
A Polícia Federal começou a deixar a região neste final de semana. É o desmonte de uma operação anunciada pelo governo para manter a ordem e que acabou virando um conflito dentro do conflito. Os outros órgãos como Funai e Ibama já não tinham nenhuma influência sobre os índios que são contra a emancipação. ''O comando lá dentro deve ser do governo do Estado'', enfatizou o cacique Lauro Barbosa. O governo federal tem um ano para retirar os fazendeiros e implementar as medidas de substituição das ações estaduais anunciadas quando o decreto foi editado.
Uma forte divisão entre os próprios macuxi dificulta um entendimento. Os que são a favor da homologação, reunidos em torno do Conselho Indígena de Roraima (CIR), querem os fazendeiros fora da área. Os macuxi ligados à Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (SODIUR) defendem a permanência das quatro comunidades excluídas pelo decreto - Socó, Mutum, Surumu e Água Fria - e a continuidade da parceria com os arrozeiros.

mockup