Liberdade, o melhor presente para 10 detentos da PEL
O sentimento que une Adriano Luis dos Santos, 28 anos, e Edson Alves de Souza, 32, é a ansiedade. Como se fossem crianças outra vez, eles contam as horas para o Natal. Os dois fazem parte de um grupo de 10 presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) que ganharam liberdade condicional e vão passar a festa junto da família este ano. ''Acho que ninguém ganhou um presente igual a gente neste Natal. O que eu mais queria é isso, uma vida nova, uma oportunidade de recomeçar tudo. É um renascimento'', define Adriano.
Preso por assalto, ele ficou 6 anos e 3 meses na cadeia. Adriano confessa que o Natal é uma das datas mais difíceis para os detentos: ''A gente tem que procurar entender e não se desesperar, nem ficar pensando muito na família. O certo mesmo é fazer de conta que é um dia como outro qualquer, senão a gente fica muito deprimido''. Edson, que foi condenado por tráfico de drogas e já passou três natais na cadeia, concorda: ''O pior de tudo é a saudade da família. Você escuta os fogos e rojões do outro lado do muro, ouve sons de música e aqui dentro é aquela tristeza''. Talvez por isso os presos respeitem uma regra comum: ''Aqui a gente não fala 'feliz Natal'; a gente só diz 'bom Natal' porque um Natal feliz aqui dentro ninguém pode ter'', explica Edson.
Adriano é jardineiro e veio do interior paulista para o Paraná há 14 anos. Tem mãe e irmãos esperando por ele em Barueri. ''Eu aprendi que a gente não pode mudar o mundo mas a gente sempre pode mudar. Eu estou desejando uma vida nova, com apoio da minha família e quero conseguir trabalho para me reintegrar à sociedade''. Edson é relações públicas, tem esposa e dois filhos adolescentes: ''Não tenho nem noção do que me espera lá fora. O que eu queria era que as coisas fossem como eram antes'', diz, referindo-se a natais anteriores quando fazia o ''Papai Noel'' na festa da família.
Quem perdeu quase tudo às vezes ganha um jeito diferente de olhar a vida: ''Eu enxergo a vida de um jeito diferente, vejo as oportunidades que eu perdi e tanta coisa que eu não dei valor'', lamenta Adriano. Mais prático, Edson prefere olhar para frente: ''Esse Natal vai ser muito diferente de todos que já vivi. A partir do momento que você passa por isso aqui, você tem uma visão diferente das coisas. Tem muita gente que sai daqui com a cabeça feita, mas raramente para o bem. Nós vamos carregar para sempre nas costas o estigma de ex-presidiários e vai ser difícil reconstruir a vida mas não há nada que Deus não consiga e eu acredito que minha vida vai ser melhor. E tem mais, esse Natal vai ser muito bom mas os outros serão ainda melhores porque eu vou ter condições de proporcionar muito mais para minha família''.





