Um dos jovens que está preso no Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDRL), cujo nome não pode ser divulgado, terminou o ensino médio no ano passado, dentro da cadeia. Com 20 anos de idade, a conclusão dos estudos foi possível por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Agora, sonha em cursar uma faculdade. Ontem, o jovem e outros detentos de todo o país deram um passo para a realização do sonho, ao participar da primeira fase do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em Londrina, as provas foram realizadas em três salas do CDRL, onde os presos foram separados de acordo com a unidade onde cumprem pena. Com o sistema de segurança em alerta, os 28 detentos fizeram provas de ciências humanas e da natureza. Hoje, no último dia de prova, respondem questões de linguagem e de matemática.
Júlio César Costa, vice-coordenador da Escola Ceebeja Professor Manoel Machado, que fica dentro do CDRL, ressaltou que o interesse dos detentos é grande, principalmente daqueles que estudam dentro da unidade ou que tiveram contato com presos que conseguiram ingressar numa faculdade.
''Eles se sentem motivados quando percebem que existe a possibilidade de mudar de vida. Sentimos até dificuldade em conseguir vagas para todos os que querem estudar, pois lidamos com a questão da segurança que é sempre um fator importante para o bom desempenho das atividades com os professores'', disse.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 330 unidades prisionais mantêm programas especiais de ensino médio no país. A prova foi aplicada em 339 presídios para 12 mil detentos de pelo menos 15 estados. Os resultados serão divulgados em fevereiro, junto com as notas dos candidatos que fizeram a prova regular, nos dias 5 e 6 de dezembro.
''Os presidiários podem usar a nota para tentar uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) ou tentar uma vaga nas universidades públicas que adotam o exame em seus processos seletivos'', disse completou Costa.

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