Liberado menor detido com 5 kg de maconha
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O menor W.A.S., de 17 anos, foi flagrado na noite da última sexta-feira com 5,150 kg de maconha e uma balança de precisão escondidos em sua residência localizada no Conjunto Hilda Mandarino II (zona norte de Londrina). A apreensão foi resultado de diversos dias de investigação feita por homens do serviço reservado da Polícia Militar (P2) que dispunham de mandado de busca e apreensão para entrar na residência. Mesmo assim, no dia seguinte ao flagrante, ele foi visto circulando pelas ruas do bairro.
O delegado de plantão que atendeu a ocorrência, José Arnaldo Martins Peron, disse que recebeu o flagrante dos policiais, lavrou um boletim de ocorrência circunstanciado (BOC) e encaminhou o menor ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) para ser entregue à família. Posteriormente, o menor deveria se apresentar ao Ministério Público.
Peron declarou que não usou do auto de apreensão porque não houve violência nem grave ameaça à pessoa, os dois únicos pressupostos, segundo ele, para se poder representar por medida socio-educativa em meio fechado. Ele próprio concordou que a legislação, nestes casos, ''é branda demais''.
A promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula, não entendeu dessa forma e se irritou com a liberação do menor. Ela afirmou que a detenção imediata do suspeito é exigida em duas situações, que englobam tanto menores quanto maiores: por uma ordem judicial ou quando há o flagrante do crime. ''Ele (o delegado) fez o BOC e não considerou o flagrante'', comentou.
De acordo com a promotora, W.A.S. já contava com dez passagens anteriores, inclusive uma acusação de homicídio, e deveria ficar apreendido por, pelo menos, os 45 dias previstos na lei. ''Por coisa muito menor, outros menores já ficaram apreendidos'', comentou.
Édina adiantou que iria oficiar o delegado para que ele justificasse em juízo porque liberou o menor. Em relação à W.A.S., ela garantiu que iria tomar as providências cabíveis.
Entre os policiais militares, a informação de que o menor apreendido na sexta-feira já estava circulando livremente no sábado também não foi bem recebida. ''Essas situações acabam desmotivando o policial, que acaba achando que o seu trabalho não está sendo valorizado'', disse um PM sem se identificar.


