A liberação de R$ 2,3 milhões para o pagamento dos funcionários do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, não acabou com a greve iniciada ontem pelos servidores. A paralisação continua porque o dinheiro repassado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), que mantém o HC, é insuficiente para garantir o salário de todos os grevistas.
''Seriam necessários quase R$ 4 milhões para pagar todo mundo, inclusive os 212 professores que fazem parte da folha de pagamento do hospital'', disse Antonio Neris, presidente do Sinditest (sindicato que representa a categoria). Romulo Sandrini, reitor em exercício da UFPR, disse que a verba liberada pelo Ministério da Educação só é suficiente para pagar os servidores técnico-administrativos. Ficariam de fora, dessa forma, os professores e outros funcionários ligados ao HC. ''Estou estudando a melhor forma de viabilizar a formulação da folha'', completou Sandrini.
No entendimento do diretor geral do HC, Luiz Carlos Sobânia ''se o dinheiro enviado não dá para pagar os salários de professores e funcionários do hospital, então a prioridade é que sejam pagos os técnico-administrativos, porque sem eles o hospital pára'', disse. Explicou que se for necessário vai disponibilizar funcionários do setor de informática, contratados pela Funpar (Fundação do próprio hospital)- que não suspenderam as atividades porque receberam os salários- para ajudar a elaborar a folha de pagamento.
Mais de 100 professores da UFPR decidiram ontem, em assembléia, que independente do pagamento ou não dos salários do mês passado, a greve continua. Eles ameaçam não fazer o vestibular. ''O governo é que está inflexível há sete anos, tempo em que estamos tentando negociar, e nos acusa de intransigência. Pois se é assim, vamos cancelar tanto o semestre quanto o vestibular para o ano que vem'', disse o presidente da Associação dos Professores da UFPR, Francisco de Assis Marques. (Colaborou Ellen Taborda).

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