Morando há 12 anos no Brasil, o libanês Hussein Abbas, de 31 anos, está prestando uma espécie de assessoria gratuita para estrangeiros que vivem clandestinamente em Foz do Iguaçu e querem legalizar sua situação no País. Ele está auxiliando principalmente compatriotas seus, mas também não deixa desamparados estrangeiros de outras nacionalidades.
Desde anteontem, Abbas já ‘‘assessorou’’ mais de 35 pessoas. ‘‘Ajudo amigos e conhecidos. Explico a eles o que é necessário para a regularização’’, conta. ‘‘Sei dos problemas por que eles passam. Muitos têm dificuldade com a língua’’, completa o comerciante, que fala o português com fluência. A maioria dos estrangeiros que ele já ajudou são árabes, mas há também chineses, coreanos, indianos e até paraguaios.
Abbas nada cobra pela ajuda. Ontem à tarde, ele foi encontrado pela Folha na porta da Delegacia da Polícia Federal, ‘‘assessorando’’ um grupo de compatriotas. Segundo o comerciante, a maioria dos estrangeiros em situação ilegal na região de Foz do Iguaçu chegou ao Brasil entre dois e três anos atrás. Geralmente são homens jovens.
No contato com essas pessoas, ele aproveita para conscientizá-las sobre a importância de estar em dia com as leis brasileiras. ‘‘É preciso aproveitar esse momento.’’ Abbas elogiou a atitude do governo brasileiro em conceder a anistia.
Ele imigrou para o Brasil em 1986, aos 17 anos. Morou em Brasília, Goiânia e outras cidades, antes de se estabelecer em Foz, em 1990. Abbas obteve documentação brasileira em 1988, na última anistia concedida pelo governo. (V.D.)

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