Quando viram publicados na Folha os dados do relatório divulgado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento humano, os secretários municipais das pastas de Educação e Saúde de Londrina ficaram surpresos. O susto só passou após perceberem que os números têm como base o censo demográfico de 91, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). ‘‘Hoje a realidade é outra’’, comenta o secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian.
De acordo com os dados divulgados pela ONU, Londrina não aparece entre os cinco primeiros municípios com melhores índices nos itens educação e mortalidade infantil. Em 91, o índice de mortalidade infantil na cidade era de cerca de 20 mortos para cada mil nascidos vivos - em 90, era de 22,61. Ainda em 91, o índice da 17ª Regional de Saúde, que compreendia 17 municípios na época, era de 22,7. Hoje, com 19 municípios, a Regional ostenta o índice de 13,73 e Londrina de 12,8.
‘‘Pelas estatísticas da Secretaria de Saúde de 97, temos um dos menores índices de mortalidade infantil do Estado. Se considerarmos cidades de médio e grande porte, nossos índices são ainda melhores. As cidades que aparecem no relatório da ONU são de pequeno porte’’, observa o secretário. De acordo com os dados divulgados, estão entre os cinco municípios com menores índices Marechal Cândido Rondon (10,47), Mandirituba (11,87), Sabáudia (12,14), Abatiá (13,28) e Bela Vista do Paraíso (14,44).
O secretário ressalta ainda que entre os 12,8 mortos estão casos que independem da ação da saúde pública, como os acidentes domésticos e de trânsito. ‘‘Esses fatos ajudam a elevar a taxa, caso contrário poderíamos estar mais próximos dos índices dos Estados Unidos, que é de 8 mortes para cada mil nascidos vivos’’.
Bedrossian atribui a queda na taxa de mortalidade a ações que começaram a ser desenvolvidas há mais de 20 anos, com instalação de postos de saúde nos bairros e periferia da cidade. ‘‘Nossa rede continua em expansão permanente, temos tido ótimos resultados nas campanhas de vacinação, as mães estão fazendo pré-natal e ainda contamos com a ajuda das organizações não-governamentais e clubes de serviço para continuarmos diminuindo nossos índices’’.
O secretário da Educação, Dorival Peres, estava viajando ontem e não dispunha de números para contrapor os dados da ONU. Por telefone ele informou que há várias ações sendo desenvolvidas para diminuir o índice de analfabetismo na cidade.
‘‘Estamos dando ênfase à alfabetização de adultos’’, observa. Segundo ele, 14% da população maior de 15 anos tem menos de um ano de estudo, enquanto a média nacional é de 16%. ‘‘Nosso índice é alto, mas estamos trabalhando para revertê-lo’’.
Ele cita que ano passado estavam matriculados em cursos de alfabetização de adultos 1.370 alunos. Este ano, são 2.250 matriculados e para 99 a expectativa é atender 7.500 alunos. ‘‘Estamos concluindo projetos que incluem a participação da iniciativa privada e busca de recursos junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)’’, comenta. De acordo com o secretário, a cidade tem infra-estrutura para atender até cerca de 13 mil alunos, mas faltam monitores e materiais.

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