Levantamento da ONU causa reação
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Benê Bianchi 
Quando viram publicados na Folha os dados do relatório divulgado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento humano, os secretários municipais das pastas de Educação e Saúde de Londrina ficaram surpresos. O susto só passou após perceberem que os números têm como base o censo demográfico de 91, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Hoje a realidade é outra, comenta o secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian.
De acordo com os dados divulgados pela ONU, Londrina não aparece entre os cinco primeiros municípios com melhores índices nos itens educação e mortalidade infantil. Em 91, o índice de mortalidade infantil na cidade era de cerca de 20 mortos para cada mil nascidos vivos - em 90, era de 22,61. Ainda em 91, o índice da 17ª Regional de Saúde, que compreendia 17 municípios na época, era de 22,7. Hoje, com 19 municípios, a Regional ostenta o índice de 13,73 e Londrina de 12,8.
Pelas estatísticas da Secretaria de Saúde de 97, temos um dos menores índices de mortalidade infantil do Estado. Se considerarmos cidades de médio e grande porte, nossos índices são ainda melhores. As cidades que aparecem no relatório da ONU são de pequeno porte, observa o secretário. De acordo com os dados divulgados, estão entre os cinco municípios com menores índices Marechal Cândido Rondon (10,47), Mandirituba (11,87), Sabáudia (12,14), Abatiá (13,28) e Bela Vista do Paraíso (14,44).
O secretário ressalta ainda que entre os 12,8 mortos estão casos que independem da ação da saúde pública, como os acidentes domésticos e de trânsito. Esses fatos ajudam a elevar a taxa, caso contrário poderíamos estar mais próximos dos índices dos Estados Unidos, que é de 8 mortes para cada mil nascidos vivos.
Bedrossian atribui a queda na taxa de mortalidade a ações que começaram a ser desenvolvidas há mais de 20 anos, com instalação de postos de saúde nos bairros e periferia da cidade. Nossa rede continua em expansão permanente, temos tido ótimos resultados nas campanhas de vacinação, as mães estão fazendo pré-natal e ainda contamos com a ajuda das organizações não-governamentais e clubes de serviço para continuarmos diminuindo nossos índices.
O secretário da Educação, Dorival Peres, estava viajando ontem e não dispunha de números para contrapor os dados da ONU. Por telefone ele informou que há várias ações sendo desenvolvidas para diminuir o índice de analfabetismo na cidade.
Estamos dando ênfase à alfabetização de adultos, observa. Segundo ele, 14% da população maior de 15 anos tem menos de um ano de estudo, enquanto a média nacional é de 16%. Nosso índice é alto, mas estamos trabalhando para revertê-lo.
Ele cita que ano passado estavam matriculados em cursos de alfabetização de adultos 1.370 alunos. Este ano, são 2.250 matriculados e para 99 a expectativa é atender 7.500 alunos. Estamos concluindo projetos que incluem a participação da iniciativa privada e busca de recursos junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), comenta. De acordo com o secretário, a cidade tem infra-estrutura para atender até cerca de 13 mil alunos, mas faltam monitores e materiais.


