Levantamento atesta falta de segurança
Arquivo FolhaAlvoSecretário Cândido de Oliveira: dados não contentam liderançasLevantamento atesta falta de segurança
Dos 55 investigadores, apenas seis estão exercendo função; dados do Sindicato dos Policiais não confirmam situação apresentada por secretário
Lucilia Okamura
Londrina possui 55 investigadores da Polícia Civil, mas apenas seis cumprem a função. A grande maioria deles está desviada do trabalho original e atua como carcereiro ou no setor administrativo. O levantamento foi feito no início do ano pelo Sindicato dos Policiais de Londrina (Sindipol) e, na opinião de lideranças da cidade, contradiz o secretário Estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, de que a situação na cidade não é grave.
Segundo o levantamento do Sindipol, são 106 funcionários da 10ª Subdivisão Policial de Londrina - formada por seis distritos, pelas delegacias da Mulher e de Trânsito e a Prisão Provisória. Do total, são 15 delegados, 20 escrivães e 55 investigadores. Ainda de acordo com o sindicato, dos investigadores, 16 trabalham como carcereiros (cuidam das cadeias dos distritos), 11 estão no setor administrativo, dois são da escolta, entre outros.
O documento do Sindipol foi repassado há algumas semanas ao delegado-adjunto da Divisão da Polícia do Interior (DPI), Luis Renato Kafka Godoy, quando esteve em Londrina para ouvir as reivindicações da comunidade sobre a falta de segurança e repassá-las ao secretário. Cópia do levantamento foi passado à Folha pelo Conselho Comunitário de Segurança.
Na opinião do coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina, Carlos Roberto Scalassara, os dados do sindicato demonstram a contradição do secretário de Segurança. Em artigo publicado na edição de ontem da Folha, Oliveira comenta que o governo do Estado não está parado quando se trata de segurança. Para dar um exemplo, ele diz que em Londrina existe um policial para cada 477 habitantes. E cita novamente o concurso público da Polícia Civil que deverá dotar a região de Londrina com mais 56 homens.
Segundo Scalassara, em Curitiba podem ser vistos camburões e policiais em cada esquina. Em Londrina, não se vêem os policiais de forma tão ostensiva, ressalta. Se existe de fato este efetivo grande, é preciso que esteja na rua. Se não estiver, deve ter alguma razão, que precisa ser explicada, acrescenta.
O coordenador do CDH afirma que o secretário, em seu artigo, repetiu o discurso que fez em Londrina (durante visita na semana passada), enfim, continua sem ter uma solução para os problemas. O secretário continua insistindo na tese do concurso para a falta de policiais, ressalta. Segundo ele, esta solução virá a médio prazo, já que os concursados terão de passar ainda pela Escola de Polícia. E defende um remanejamento ou remoção de policiais para Londrina por se tratar de um questão emergencial.
Scalassara diz ainda que o secretário foi antidemocrático ao começar o artigo como se fosse uma resposta a ele. É como se a indignação fosse de uma só pessoa e não de uma sociedade organizada ou da população de Londrina, afirma.
O presidente do Conselho Comunitário de Londrina, Jorge Coimbra, também critica o artigo do secretário pela falta de respostas convincentes. Queremos um Instituto Médico Legal (IML) funcionando, que a construção da Cadeia Pública ande e que coloquem mais policiais em Londrina, resume. Coimbra afirma ainda que o artigo foi desnecessário. Mais uma vez ele mostrou que é um secretário de gabinete, dispara.





