Leucena pode comprometer espécies nativas do Bosque
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Uma árvore leguminosa, comum em pastagens, está se espalhando pelo Bosque, na área central de Londrina, comprometendo espécies nativas. A pioneira Aurora Vicentini, 74 anos, residente na cidade desde 1948, reclama da proliferação da leucena, que já domina boa parte dos canteiros de flores e cresce junto aos troncos de árvores nativas. Segundo ela, ao se alastrar nos canteiros a leucena pode arrebentar as calçadas. Além disso, diz a pioneira, a árvore de porte alto vai encobrir o local onde as pessoas se reúnem para tomar sol.
Moradora de um prédio vizinho e frequentadora assídua do Bosque, Aurora conta que uma leucena foi podada recentemente. Se estão podando é porque não há intenção de arrancá-la, observa. A pioneira afirma que já avisou várias vezes um funcionário da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) que trabalha no Bosque sobre a invasão das leucenas. O rapaz (funcionário da CMTU) me disse que não tem ordem para arrancar as mudas, relata. Os galhos da árvore, comenta Aurora, são frágeis e vivem caindo na calçada, atrapalhando os pedestres.
O responsável na CMTU pela manutenção do Bosque, Altair Ferraz, reconhece a infestação de leucenas, mas diz que não tem permissão para retirá-las. O agrônomo Walter Kranz, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que a Leucaena leucocephala, nome científico da leucena, foi trazida do México para ser utilizada como banco de proteína na pecuária e virou praga na zona urbana. A semente germina fácil e a planta cresce rápido, diz o agrônomo, especialista em plantas invasoras. Kranz informa que em todo o Estado, principalmente em algumas cidades do Noroeste, a leucena escapou do controle. O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) gasta muito com limpeza de margens de estrada e os seguros pagam caro pelos estragos dos galhos das árvore que caem em veículos, afirma o agrônomo.
Na opinião de Kranz, a infestação de leucena no Bosque deve afetar as espécies nativas. A melhor solução, esclarece ele, é eliminar as mudas antes da invasão definitiva. A leucena deve se restringir às pastagens, orienta. O presidente da CMTU, Wilson Sella, não sabia do problema, mas garante que vai entrar em contato com a Autarquia Municipal de Ambiente (AMA) para encaminhar uma solução. Segundo o diretor-operacional da AMA, João Mendonça, algum desequilíbrio pode estar causando a invasão da leucena. Ele informa que vai pedir uma análise da vegetação do Bosque a um agrônomo da AMA.


