Letras da liberdade
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Para mais de 500 presos do sistema penitenciário de Londrina, a rotina do cárcere vai além do tempo fechado nas celas e dos banhos de sol. A leitura faz parte do dia a dia deles. O objetivo desses internos é, além do enriquecimento cultural, reduzir o tempo de pena.
Isso é possível porque as unidades de Londrina participam do projeto de remição pela leitura, que permite a remição da pena pelo estudo através da leitura. O programa foi implantado em todas as unidade penitenciárias do Estado pela lei 17.329 de 2012. O detento tem a oportunidade de fazer a leitura de uma obra literária, clássica, científica ou filosófica, livros didáticos, inclusive livros didáticos da área de saúde, por mês para obter o benefício. As obras são previamente selecionadas pela Comissão de Remição pela Leitura. O preso é obrigado também a entregar uma resenha ou relatório de leitura sobre a obra. Se o texto obtiver nota igual ou superior a seis, o apenado pode ter remição de quatro dias de pena.
Em Londrina, 563 participam do projeto, o equivalente a 22% da população carcerária do sistema penitenciário do município, que é de 2.508 internos. São 654 presos na unidade 1 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), 1.147 na PEL 2, 448 na Casa de Custódia, e 259 no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon). A média estadual de participação no projeto de remição pela leitura é de 13,36% da população penitenciária - dos 19.556 presos do Paraná, 2.612 participam.
Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) é o município que conta com o maior volume de presos que participam da remição pela leitura. São 1.166 presos, mas proporcionalmente a fração é menor do que a de Londrina, pois a unidade abriga 9.411. Apenas 12,39% do total, portanto, leem para diminuir a pena. Em Ponta Grossa (Campos Gerais) é registrada a menor participação proporcional do Estado.
Apenas 29 dos 1.280 presos (2,27%) participam do projeto.
Para a coordenadora de Educação, Qualificação e Profissionalização de Apenados do Departamento de Execução Penal (Depen), Glacélia Quadros, o projeto de remição pela leitura está consolidado no Paraná. "O Paraná foi o primeiro Estado a realizar o projeto. Em 2013 compusemos toda a estrutura para implantá-lo em todos os estabelecimentos penais e hoje temos 30 professores de língua portuguesa atuando nele, e 2,6 mil presos inscritos", destacou.
Glacélia explica que o projeto não substitui a edução básica. "O projeto vem para promover atividade educacional para quem não está na escola, já que as unidades prisionais não têm espaço para atender toda a atenção básica, uma vez que o número de salas de aula é insuficiente para atender a demanda", aponta.
A remição para quem não está na educação básica, diz ela, tornou-se uma porta de entrada para entrar na educação formal. "Quando surgir uma oportunidade para isso, ele estará mais preparado para esse ingresso. A leitura dos livros prepara melhor os custodiados para isso", argumenta.
Segundo Glacélia, a mudança de comportamento dos participantes é perceptível. "Eles têm aprendido com os professores o gosto pela leitura e melhorado a compreensão de mundo por meio disso. Isso possibilita que eles repensem a sua vida com os familiares e com pessoas com quem convivem e até com eles mesmos", destaca.


