Letra manuscrita em discussão
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Estudantes norte-americanos poderão deixar de aprender a escrever com letra cursiva (de mão) nos próximos anos. No estado de Indiana, uma lei já tornou essa aprendizagem opcional. Outros 40 estados do país anunciaram que também seguirão a mesma decisão por considerar a tradicional forma de escrever ultrapassada.
A lei provocou polêmica nos Estados Unidos e teve repercussão no mundo todo. Os defensores da nova legislação argumentam que as crianças não necessitam mais escrever as letras com caneta e lápis no papel e que seria mais importante ensiná-las a digitar mais rapidamente. Na avaliação deles, o ideal seria concentrar o aprendizado nas letras de bastão (de forma), que é utilizada para comunicação via celular ou computador.
Em Londrina, a letra cursiva é ensinada normalmente nas escolas da rede municipal. Na avaliação da gerente de Apoio Educacional Especializado da Secretaria de Educação, Fátima Malvezzi, mais importante que o estilo da grafia é a interação da criança com o conteúdo ensinado. ''O que importa é o aluno saber ler e escrever e entender o conteúdo abordado pelo professor. Até mesmo porque o fato de a criança escrever com letra cursiva e bonita não influencia no desempenho dela na sala de aula'', afirma.
Fátima admite que embora não haja perspectiva de banir o ensino de letra manuscrita no Brasil, essa forma de escrita tem sido menos valorizada no país ao longo dos anos. ''Hoje em dia há muitas crianças que escrevem com letra de forma (caixa alta) desde o início da alfabetização. Isso não interfere na sua aprendizagem. Muitos estudantes optam por essa forma de grafia por acharem mais fácil distinguir as letras'', analisa.
A professora do curso de Pedagogia da Unopar, Mônica Teixeira Figueirol, também afirma que a opção pela letra manuscrita ou de forma não interfere no na coordenação motora fina da criança. ''Discordo da intenção de banir o ensino da letra cursiva, mas realmente não existe nenhuma diferença no processo de desenvolvimento da criança quanto ao tipo de letra usada. O desenho de cada letra, com curvas e traços distintos é que vai ajudar a criança no processo de entendimento da leitura e da escrita'', argumenta a docente, que ministra a disciciplina de fundamentos da alfabetização.


