Odair StraliottiEstragosTrês pontes e mais de 20 represas foram destruídas pelas chuvas em Marilândia do SulGUAÍRA - O governador Jaime Lerner sobrevoou ontem pela manhã as principais áreas atingidas pela cheia do Rio Paraná entre Guaíra e Querência do Norte, na divisa do Oeste com o Noroeste do Estado, onde cerca de 1.200 pessoas continuam desabrigadas em 10 localidades diferentes. Depois, o governador, o chefe da Defesa Civil e três secretários se reuniram com prefeitos de 10 municípios rIbeirinhos em Guaíra.
Lerner fez a entrega de um caminhão carregado com donativos (roupas, colchões, 400 cestas básicas e 200 latas de supersopa, que rende mil porções). Ele pediu aos prefeitos que se organizem para superar os prejuízos causados pela cheia.
Durante 30 minutos, o governador sobrevoou de helicóptero grande parte do trecho de 120 quilômetros da Ilha Grande, a segunda maior ilha fluvial do País. Em seguida, já com os prefeitos, lançou a idéia de criar frentes de trabalho nos municípios mais atingidos para dar emprego aos bóias-frias, sem trabalho há um mês.
O desemprego temporário na área rural, segundo o secretário da Agricultura e Abastecimento, Hermas Brandão, é a principal consequência das chuvas para o campo. Ele disse que as chuvas afetam apenas os plantios de arroz e hortifrutigranjeiros, o que não deve interferir na expectativa do Estado de colher este ano a maior safra de grãos de sua história.
De acordo com chefe da Defesa Civil, coronel Luiz Antônio Borges Vieira, 55 minicípios do Estado continuam em estado de emergência. Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) é o que mais sofre. Segundo o prefeito Vanderlei Alves da Costa, além de ilhas, o município tem 100 quilômetros de área ribeirinha. ‘‘Em todo este trecho estamos enfrentando problemas’’, afirmou.
Ontem a situação do Rio Paraná continuava crítica. De acordo com a última medição do Corpo de Bombeiros de Umuarama, o nível das águas estava pelo menos 7,60 metros acima do normal. Todas as ilhas mais baixas do arquipélago de Ilha Grande estão cobertas pela água. Parte do distrito turístico de Porto Figueira, no município de Vila Alta, também foi submersa. A água invade as casas. Em Guaíra, alguns ilhéus continuam resistindo a ação de socorro da Defesa Civil.
ConsórcioO presidente da Coripa (Consórcio Internacional para Conservação do Remanescente do Rio Paraná) e prefeito de São Jorge do Patrocínio, Cláudio Palozzi, entregou uma carta a Lerner pedindo que o governador negocie com os governos de São Paulo e Minas Gerais um controle mais rigoroso da abertura das comportas das hidrelétricas localizadas nestes estados, onde o Paranazão é represado.
‘‘Queremos que as hidrelétricas comecem a liberar maior vazão assim que começarem as chuvas e não esperem encher todo o reservatório, como está acontecendo hoje. Isso evitaria as enchentes’’, disse Palozzi.

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