Lerner vai intermediar negociações
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
O governador Jaime Lerner (PDT) anunciou ontem que vai intermediar o processo de negociação entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec). Lerner e líderes da entidade - que coordena a ocupação de uma área do Parque Nacional do Iguaçu desde 8 de maio - deverão se reunir hoje, às 15 horas, no Palácio Iguaçu. A decisão foi tomada anteontem após uma reunião em Curitiba entre o governador e o presidente do Ibama, Eduardo Martins.
Queremos encontrar uma solução que não seja jurídica, afirmou Lerner. Além do governador, o secretário chefe da Casa Civil, Rafael Greca, e prefeitos dos municípios no entorno do parque, ligados à Aipopec, deverão participar da reunião.
A estrada, que liga Serranópolis do Iguaçu (Oeste do Estado) e Capanema (Sudoeste), possui 17,6 quilômetros dentro do Parque Nacional. O trecho foi interditado em 1986 por uma decisão da Justiça Federal do Paraná.
No último dia 8, agricultores e moradores das duas regiões invadiram o parque e ocuparam o leito da estrada. Dezenove dias depois, o juiz Pedro Paim Falcão, do Tribunal Regional Federal, com sede em Porto Alegre, suspendeu a execução da liminar.
Pedido negado Os grupos contrários à reabertura da Estrada do Colono sofreram ontem mais uma derrota. O juiz Zuudi Sakakihara, da 1ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, não aceitou o pedido feito pelo Ministério Público para que determinasse a interrupção do cascalhamento da estrada.
No despacho o juiz lembra que a liminar que mantinha a estrada fechada está com seus efeitos suspensos por decisão de um Tribunal Regional Federal Segundo ele, a reabertura é uma consequência inevitável dessa decisão do TRF, ainda que resulte agressão ao meio ambiente.
Sakakihara afirma que o cascalhamento e o manilhamento da água pluvial podem representar medidas necessárias para restituir a trafegabilidade anterior. Ele reconhece o impacto ambiental negativo das obras, mas afirma que elas não podem, com base em simples relatos e suposições, ser consideradas transgressões às condições fixadas pelo TRF para a reabertura.
A tese de que o cascalhamento contraria as condições fixadas pelo TRF foi apresentada pelo procurador Sérgio Arenhart, do Ministério Público Federal, na petição encaminhada terça-feira à Justiça. Arenhart pedia a imediata suspensão do cascalhamento da estrada e a requisição de forças policiais para retirar os manifestantes do parque.
Mal intencionados Nota divulgada ontem pela Aipopec critica a campanha internacional para impedir a reabertura da estrada, que foi deflagrada por ambientalistas de toda a América Latina, na semana passada, durante encontro na Colômbia.
Segundo a nota, esses ambientalistas agem com total desconhecimento da questão. De acordo com o documento, as denúncias de que a reabertura forçada da Estrada do Colono estariam provocando danos ambientais ao parque são fruto de pessoas mal intencionadas e desinformadas. (Colaborou Lorena Aubrift Klenk, de Curitiba)


