Lerner vai conhecer a maquete do HU
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
O governador Jaime Lerner vai conhecer a maquete que mostra como vai ficar o Hospital Universitário de Londrina após a reforma e ampliação do prédio. A visita ao hospital será agendada para a próxima vinda do governador a Londrina, de acordo com o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa. A promessa foi feita por Lerner anteontem, durante encontro rápido com o reitor, o diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, e o diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UEL, Pedro Gordan.
A liberação dos cerca de R$ 32 milhões necessários para a obra não foi mencionada durante o encontro. Testa diz que pretende primeiro mostrar ao governador como ficará todo o complexo do HU após a reforma que não vai apenas quase dobrar o número de leitos, mas também proporcionar um atendimento mais humano aos pacientes. Por enquanto, o reitor não quer mostrar a maquete para a população. A idéia é apresentá-la primeiro ao governador Jaime Lerner.
Segundo Cláudio Camacho, a reforma do HU é uma obra aguardada há 25 anos - o primeiro projeto de mudança foi elaborado em 1972. O diretor garante que esse trabalho que vai retirar o hospital da situação crítica em que se encontra, com pronto-socorro pequeno e inadequado e enfermarias com número superior de leitos ao recomendado pelas organizações internacionais de saúde.
O diretor explica que o projeto, coordenado por professores de arquitetura da UEL, prevê a ampliação e readequação do pronto-socorro. O setor terá três entradas - hoje só existe uma - com acesso distinto para adultos, crianças e emergência (pacientes que sofreram acidentes). Com isso nós prevemos mudanças éticas e humanas, porque evitamos que os pacientes se deparem com as tragédias, afirma Cláudio Camacho.
Outra preocupação com a humanização do atendimento - ressalta Camacho - fica evidente nas mudanças criadas para as enfermarias. Hoje, cada uma tem em média seis leitos sem banheiro. A idéia é criar quartos com dois ou quatro leitos no máximo e com banheiro. Isso vai facilitar quando a gente tiver que deixar pacientes isolados por causa de alguma patologia, comenta o diretor.
Existe também a intenção de criar quartos separados para adolescentes, lembra Cláudio Camacho. Além disso, serão criados dois hospitais-dia: um psiquiátrico e outro para tratamento de doentes de Aids. Segundo ele, há muitos casos de pacientes com Aids que precisam ficar sob observação quando recebem alguns medicamentos, mas sem necessidade de mantê-los internados em tempo integral.
A reforma do HU poderá ser feita em duas fases. A primeira deve demorar entre dois anos e meio e três anos e meio: prevê a construção das novas alas de internação, que vão permitir a ampliação dos atuais 284 leitos para 470 vagas. Talvez a gente consiga chegar até a 500 leitos, informa Camacho. Nesta fase também serão construídos os dois hospitais-dia. No total, são 24 mil metros de construção.
Na segunda fase há a reforma do prédio do hospital. Essa etapa prevê também a criação do Centro de Diagnóstico, a ala para tratamento semi-intensivo e ampliação dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hoje o HU conta com 17 leitos na UTI para adultos e 7 leitos na UTI neonatal. Após a conclusão da reforma serão 60 leitos para todas as Unidades de Terapia Intensiva.
A primeira fase está orçada em R$ 19 milhões, enquanto a segunda, em R$ 12 milhões. A etapa inicial está dividida em dois cronogramas. O primeiro com duração de 18 meses e a necessidade de repasse mensal de R$ 1 milhão. O segundo cronograma prevê 24 meses de trabalho e repasse mensal de um pouco menos de R$ 1 milhão, observa Camacho.
O diretor lembra que a verba para a reforma do HU entrou no orçamento do Estado no ano passado, mas os recursos não foram liberados. Ele diz que tem esperança de que os recursos sejam liberados no orçamento do ano que vem. Quem sabe venha até um sinal este ano.


