Curitiba

Albari RosaApeloLerner tentou em vão convencer líderes nacionais do PT a interromper marcha de sem-terra do Norte do Paraná até Curitiba: ‘‘Podemos ser surpreendidos com contra-marcha e aí teremos no Centro Cívico uma batalha campal’’O governo do Estado tenta hoje, numa terceira rodada de negociações com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), ruralistas e Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), fechar acordo para pôr um fim nos conflitos de terra no Paraná. A conversa, que até a última segunda-feira estava suspensa, está programada para começar às 10 horas no Palácio Iguaçu.
O presidente nacional do Incra, Milton Seligman, não confirmou presença na reunião até o final da tarde de ontem e pode mandar representante. Lerner pretende assegurar o cumprimento do roteiro apresentado na última quinta-feira, de acelerar a oferta de áreas para assentamentos, cessando novas invasões e desarmando fazendeiros e sem-terra.
O governador não conseguiu convencer as lideranças nacionais do PT, que estiveram ontem no Paraná, da necessidade de se abortar a ‘‘Marcha dos Sem Terra’’, programada para chegar em Curitiba ainda nesse mês. Lerner (PFL) fez um apelo ao presidente nacional do PT, José Dirceu, e a Luiz Inácio Lula da Silva para que usem da sua influência política sobre o MST do Paraná para acabar com a manifestação. Mas não foi atendido. ‘‘O PT não fala pelo MST, mas tem muita influência...’’, sugeriu o governador.
‘‘A marcha é perigosa, porque provoca o outro lado (os ruralistas). Podemos ser surpreendidos com uma contra-marcha e aí teremos no Centro Cívico uma batalha campal. E eu como governador não vou permitir esse tipo de coisa’’, avisa Lerner. Segundo ele, a manifestação do MST só atrapalha a ação política do governo, que tenta retomar as condições de diálogo.
José Dirceu entende, por outro lado, que a manifestação dos sem-terra é pacífica e que não representa uma afronta ao governo estadual que, segundo ele, ‘‘demonstra disposição em pôr um ponto final nos conflitos de terra no Estado’’. ‘‘Será como a marcha feita em Brasília, em abril desse ano’’, compara. O presidente nacional do PT, apesar de não atender ao apelo do governador, comprometeu-se a levar a preocupação de Lerner à direção do MST do Paraná.
‘‘É sabido que os sem-terra não estão armados, mas mesmo assim repassaremos as recomendações do governo do Estado’’, disse José Dirceu, que comandou a comitiva petista que passou a manhã em audiências com Lerner, com o procurador geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, e com o presidente do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz Cesar.
Nos encontros, os petistas pediram o reexame das decisões da Polícia Militar e dos juízes locais que levaram 24 líderes sem-terra à prisão. ‘‘Não há razão para esse absurdo em que os sem-terra do Paraná estão sendo acusados de formação de quadrilha. Queremos um relaxamento das prisões e a liberação dos líderes, por entendermos que houve excessos da polícia. Repudiamos a violência usada pelos dois lados nos espisódios de Jundiaí do Sul e de Santa Isabel do Iva풒, avalia José Dirceu. Lerner comprometeu-se a trabalhar pela revisão das punições, mas deixou claro que não lhe cabe analisar os mandados de prisão expedidos pelo Poder Judiciário. O ex-presidente do PT Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ‘‘grande culpado’’ para o problema da terra ter evoluído tanto no Paraná é o governo federal. ‘‘Falta investimentos que garantam os assentamentos’’, avalia.

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