O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem no aeroporto de Londrina que não sabe o motivo que levou a Polícia Militar a cumprir a ordem judicial de reintegração de posse na madrugada. ‘‘Não é o governador quem determina e sim o comando da PM. Talvez tenha sido uma questão estratégica’’, justificou.
Lerner destacou que espera ‘‘serenidade’’ do Movimento dos Sem-Terra e que o diálogo com o governo seja mantido. Adiantou que a Secretaria da Criança vai providenciar alimentos para as 40 famílias transferidas da fazenda Cachoeira para o ginásio de esportes de Sapopema.
O governador voltou a lamentar a detenção dos dois jornalistas da Folha, que foram impedidos de acompanhar a desocupação. Disse que ainda não sabe que tipo de providências serão adotadas. ‘‘Estamos averiguando primeiro o que houve exatamente, mas determinei uma apuração rigorosa dos fatos.’
Ruralistas que receberam Lerner no aeroporto manifestaram preocupação com a possibilidade de o MST promover novas ocupações. ‘‘Quem sofre são os fazendeiros, principalmente aqueles que produzem’’, disse Maria Tereza Carvalho Garcia Cid, proprietária rural e mulher do presidente do Banestado, Neco Garcia.
‘‘A fúria do governador Jaime Lerner é lágrima de crocodilo.’ A afirmação é do advogado Darci Frigo, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Rede Autônoma dos Advogados Populares do Paraná, e foi feita para comentar declaração do governador publicada ontem na Folha .
O advogado destaca que a realização de despejo na madrugada e o uso de técnicas de terrorismo psicológico são determinações do alto comando do governo do Estado. ‘‘A responsabilidade é do governador Jaime Lerner, que dá a última palavra sobre as ações da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar’’, enfatiza Frigo, acrescentando que as mesmas técnicas já foram utilizadas em outros despejos, como o da Fazenda Gertrudes, no município de Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama).

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