Albari RosaSistema custou R$ 9,4 milhões e é composto por uma estação de tratamento e de uma rede coletora de 68 quilômetrosEm ritmo de campanha, com fogos de artifício e banda de música, o governador Jaime Lerner inaugurou ontem em Araucária, a primeira obra do Programa de Saneamento Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba (Prosam). Esse sistema de esgotamento sanitário está localizado no bairro da Cachoeira e consumiu em sua construção R$ 9,4 milhões, arrecadados junto ao Banco Mundial, Sanepar e financiamentos da Caixa Econômica Federal. Composto de uma estação de tratamento de efluentes com capacidade para tratar 100 litros por segundo e de uma rede coletora de 68 quilômetros de comprimento, esse sistema está elevando de 14 para 35 o percentual de habitantes de Araucária que contam com saneamento básico. Essa unidade vai atender 26 mil moradores de 16 bairros do município. ‘‘Vamos resolver todos os problemas de esgoto na Região Metropolitana de Curitiba, e isso não é promessa de campanha’’, disse o governador.
Apesar da festa e alegria pela inauguração, os técnicos da Vigilância Sanitária de Araucária não acreditam que a qualidade de vida da população melhore imediatamente. O técnico Luiz Savério, especialista em Saúde Ambiental, diz que falta de rede de esfoto já trouxe sérias consequencias ao município. Ele conta que os moradores costumam ligar o esgoto de suas residências à rede de águas pluvias, ou lançá-lo direto nos rios e córregos, ao invés de construir fossas sépticas. ‘‘Esse procedimento fez com que os rios que passam pela zona urbana (Passaúna, Barigui e Iguaçu) ficassem poluídos, que as galerias para o escoamento de águas pluviais ficassem cheias de restos de alimentos e dejetos, favorecendo a proliferação de ratos e outros transmissores de doenças’’.
Outro motivo de preocupação para os técnicos da Vigilância Sanitária é a contaminação dos lençóis freáticos da zona rural da cidade. ‘‘As pessoas estão ligando suas fossas em poços que eram utilizados anteriormente para retirar água do subsolo, o que é altamante poluente’’, disse.
Segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva da prefeitura de Araucária, Mariliza Aparecida Campese, esse quadro contribui para o aparecimento de doenças que tem na água o seu meio de transmissão. ‘‘Estamos tendo problemas com alta incidência de diarréia, que em 1997, atingiu 3.190 pessoas’’, diz. Para a diretora, o que comprova a influência da falta de saneamento é que foram registrados 1.152 casos de infecções em crianças entre um a quatro anos, quando ocorre o desmame e o consumo de água aumenta.

mockup