Curitiba

Arquivo FolhaLerner: ‘‘Estamos conseguindo a solução dos problemas dos sem-terra de maneira pacífica, sem o uso da força’’. Desde a criação da Assessoria Especial para Assuntos Fundiários, em setembro, já foram desapropriadas 23 áreas no ParanáO governador Jaime Lerner anunciou ontem que cerca de 50% do problema com as ocupações de terra no Paraná já foi resolvido. Desde a criação da Assessoria Especial para Assuntos Fundiários, em setembro, o governo estadual desocupou pacificamente sete fazendas e conseguiu 23 decretos de desapropriação para o assentamento de mil famílias.
As fazendas desocupadas e com pedido de reintegração de posse foram a Almeria (Jardim Olinda), Dois Córregos, Santo Antônio/Santana e Água da Prata (Querência do Norte), Rio Tonete (Nova Cantu), Borborema (Tamarana) e Santo Antonio (Teixeira Soares).
Também foram identificadas 38 áreas improdutivas (com 27 mil hectares), que devem ser viabilizadas através de decretos de desapropriação, abrigando entre mil e 1,2 mil famílias.
Hoje, existem ainda 51 áreas ocupadas por 5,8 mil famílias que aguardam o assentamento. O governo não tem uma previsão sobre o encaminhamento, mas garante que há áreas suficientes para atender à demanda. ‘‘Tudo depende da rapidez do governo federal em emitir os decretos de desapropriação’’, disse José Carlos de Araújo Vieira, assessor para Assuntos Fundiários.
De janeiro até agora, o governo estadual destinou R$ 1,5 milhão para a reforma agrária. O dinheiro está sendo aplicado na capacitação técnica dos sem-terra, infra-estrutura, aquisição de equipamentos e salários dos profissionais que prestam assistência nos assentamentos.
MST - Para o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Roberto Baggio, os assentamentos estão ocorrendo em um ritmo mais rápido desde que o Incra se estruturou com mais equipes e condições de trabalho. ‘‘Com isso, foi possível notar que o estado dispõe de muitas áreas ociosas e abandonadas. Se o Incra e governo aplicarem a legislação atual, será possível destinar muito mais áreas para a reforma agrária’’, disse.
Até final do ano, os coordenadores do MST pretendem fazer mais uma rodada de conversações com o Incra para discutir o prazo dos assentamentos. Segundo avaliação do movimento, o governo teria que destinar 50 mil hectares para abrigar todas as famílias.
O MST não tem programada mais nenhuma marcha, mas marcou um encontro das crianças da reforma agrária, de 9 a 11 de dezembro, em Curitiba, para o qual são esperadas 600 crianças.

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