Lerner envia Candinho e Tavares ao DF
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de abril de 1999
Adriana Ribeiro 
Os secretários de estado do Paraná, Cândido Martins de Oliveira (Segurança Pública) e José Tavares (Justiça e da Cidadania) e o procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, foram convocados pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, para participar de uma reunião, em Brasília, na quarta-feira. Durante o encontro, do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, os três terão que explicar sobre os conflitos agrários que vêm sendo registrados no Estado.
A convocação foi feita na sexte-feira à noite, quando o ministro encaminhou um ofício ao governador Jaime Lerner. No documento, ele diz que a medida foi tomada com base em denúncias de violência e de violações de direitos humanos contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná, que foram encaminhadas ao Ministério da Justiça. As mesmas informações foram levadas para o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que também é presidido por Calheiros.
Arquivo FolhaLerner cobra ação do ministério prometida em marçoEm resposta ao ofício do Ministério da Justiça, o governo do Estado determinou que apenas os secretários da Segurança Pública e da Justiça participem da reunião, para prestar informações sobre a questão fundiária, principalmente de oito ocorrências especificadas no documento do governo Federal (nas fazendas Saudades, Santo Ângelo, SantAna, Gertrudes, São Francisco, assassinato de Eduardo Anghinoni, sequestro de Seno Staats e ameaças de morte a dez integrantes do MST).
Em nota oficial, o governo do Estado afirma que está apurando de forma rigorosa todos os casos referentes a conflito agrária em propriedades particulares do Paraná. Essa apuração está sendo realizada de forma que não restem dúvidas sobre responsabilidades e que sejam preservados absolutamente todos os direitos da pessoa humana, como é tradição no Estado do Paraná, traz a nota.
Como defesa, o governo do Estado afirma que numa reunião realizada com o ministro da Justiça no dia 23 de março deste ano, em Brasília, foi solicitado a designação de representantes da pasta para acompanhar, nas regiões onde os conflitos são mais intensos, o trabalho dos órgãos governamentais no cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse. Segundo a nota oficial, até agora, o governo do Paraná não obteve qualquer resposta do Ministério da Justiça, embora no ato Calheiros tenha se declarado favorável.


