Edson MazzettoApoioJaime Lerner é recebido no aeroporto de Cascavel pelo prefeito Salazar Barreiros O governador Jaime Lerner (PDT) disse ontem em Cascavel que a construção do novo aeroporto de Cascavel é uma decisão de governo e apoiará em todos os sentidos a iniciativa do município. O governador, porém, fez poucos comentários sobre o impasse criado com famílias de agricultores que sairão das margens do Rio Iguaçu para o alagamento da Hidrelétrica de Salto Caxias, e que devem ser reassentadas no local escolhido para a construção do aeroporto. A Fazenda Piquiri, de 2.731 alqueires, fica à margem da BR-369, a 15 km da cidade.
As famílias alegam que não haviam sido informadas do projeto quando aprovaram a compra da fazenda pela Copel, no início do ano passado. A necessidade de aprovação consta de acordo firmado entre a Copel e a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi).
‘‘Não somos contra a obra, importante para a região, mas as famílias não pediram para sair de suas terras e têm o direito de não querer conviver com um aeroporto’’, disse o coordenador da Crabi, José Uliano Camilo.
Agricultores alegam que aviões operando na área podem representar risco à sua segurança e comprometer a produção de frangos e de leite. O caso é polêmico porque as informações dadas pelas partes envolvidas na questão são muito desencontradas.
O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PMDB), havia declarado de interesse público para desapropriação 191 hectares da fazenda, em 1991, em seu primeiro mandato, com a finalidade de construir o aeroporto. Quando a Copel comprou a fazenda (pagando R$ 20 milhões), o decreto persistia e os 194 hectares não poderiam entrar na transação, embora não tivesse se concretizado a indenização, da prefeitura para a empresa proprietária.
A Folha tentou obter explicação para o detalhe junto ao prefeito Salazar Barreiros, ao ex-prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB) - em cuja administração ocorreu a operação - e à direção da Copel, mas em todos os casos as informações foram imprecisas.
Questionado a respeito, o governador Jaime Lerner disse apenas que ‘‘as questões administrativas’’ serão encaminhadas nas próximas semanas. Ele afirmou que o governo, a Secretaria dos Transportes e a Copel ‘‘farão o possível e o impossível’’ para viabilizar um aeroporto ‘‘à altura de Cascavel e região’’. O aeroporto deve servir como alternativa ao de Foz do Iguaçu e tem custo estimado em R$ 20 milhões.

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