O governador Jaime Lerner (foto) disse que a violência no acampamento da Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí, pode ser qualificada como ‘‘uma atitude criminosa e isolada, de pessoas interessadas em desestabilizar as negociações entre o governo e os sem-terra’’. O governador informou que determinou a ação imediata da polícia para descobrir os responsáveis pela queima de barracas e agressões a sem-terra que estavam acampados no local.
As declarações de Lerner foram dadas pela manhã, quando aparentemente ainda estava pouco informado sobre os fatos ocorridos na Fazenda Saudade. Também pela manhã, o secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, chegou a dizer, em entrevista à rádio CBN, que o incidente parecia ser uma ‘‘armação dos sem-terra’’ e anunciou investigação rigorosa. Oliveira falou por telefone de Brasília, onde estava para uma reunião com o ministro da Justiça, Íris Rezende, sobre a situação das polícias nos estados.
À tarde, depois que a televisão divulgou as imagens da violência e mais detalhes foram conhecidos, a Folha tentou ouvir novamente o governador sobre o episódio. Assessores informaram que ele não se manifestaria.
Na entrevista que deu pela manhã, Lerner afirmou que não há necessidade de intervenção federal ou do Exército na resolução dos conflitos agrários no Paraná. ‘‘Nunca cogitamos essa hipótese. O governo estadual tem condições de cumprir as ordens e a Secretaria de Segurança está atuando de forma serena e firme, sempre obedecendo a orientação de manter o diálogo’’, disse.
Ele também afirmou que, ‘‘nos casos de descumprimento da lei, vamos agir como temos agido, desarmando o campo’’. Segundo o governador, ‘‘pelo fato de a situação ter fugido de controle dos dois lados - MST e fazendeiros - é que resolvemos agir com rigor’’.

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