Contrariando a expectativa dos que esperavam um discurso de campanha mais quente e emocional, a fala do governador Jaime Lerner (PFL), ontem, durante a inauguração da ponte de Guaíra, foi bastante técnica. Só empolgou quando anunciou que os veículos emplacados em Guaíra não vão pagar pedágio.
Na coletiva à imprensa, o governador Jaime Lerner justificou a frieza do discurso: ‘‘Não gosto de antecipar campanhas. Não estou preocupado com a reeleição, mas em honrar os compromissos com o povo do Paraná, que estamos cumprindo um a um. Se o povo entender que esta continuidade é importante, que se manifeste nas urnas’’.
Sobre a formação de uma frente de oposição com 10 partidos, o governador disse que isto indica a força de sua candidatura: ‘‘Considero uma homenagem’’, desdenhou. O único ponto político de seu discurso foi quando agradeceu ao senador Ramez Tebet, do Mato Grosso do Sul, pelo voto ‘‘contra os senadores que prejudicaram o Paranᒒ, referindo-se a Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB), no episódio da votaçao de empréstimo internacional no Senado.
A única manifestação pró-reeleição de Lerner no palanque foi do prefeito de Guaíra, Manoel Cuba (PFL). Segundo o Palácio Iguaçu, a inauguração reuniu 150 prefeitos do Paraná, o que daria uma idéia do apoio das lideranças ao governador. Quase todos os secretários estaduais estavam presentes.
Ainda durante o discurso, Lerner lembrou que ‘‘guairᒒ quer dizer intransponibilidade, na língua indígena. ‘‘O que antes era separação, agora se transforma em integraçao, superando o rio que separa os irmãos parananenses do Mato Grosso do Sul e do Paraguai’’.
Ao final de 15 minutos, já um pouco rouco, provavelmente por causa da série de discursos do dia anterior, quando visitou seis municípios do Oeste paranaense, ele fez uma saudação. Ele subiu num Mercury 48, de propriedade do pioneiro Ibrahim Abud e usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas na sua campanha de reeleição em 1950, e percorreu a ponte.

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