O governador Jaime Lerner (PFL) afastou ontem a possibilidade de demitir o secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira. ‘‘É um absurdo, porque trata-se de uma pessoa aberta ao diálogo’’, disse ele. O pedido de demissão havia sido feito pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Lerner disse que o MST comete uma injustiça ao ‘pedir a cabeça’ de Oliveira. ‘‘O que ele fez foi agir com rigor no sentido de preservar o diálogo. É injusto responsabilizá-lo’’, declarou. ‘‘Não vamos começar com isso, porque quem escolhe o secretariado continua sendo o governador’’, disse.
O secretário disse que recebeu o pedido com ‘‘naturalidade’’. ‘‘Estão querendo transformar uma questão meramente policial num assunto político e partidário’’, afirmou. Ele fez uma comparação com o comportamento do MST em relação ao governador do Distrito Federal, Critóvão Buarque, que é do PT. ‘‘O Cristóvão promoveu várias desocupações, inclusive com confronto, e não vi o PT ou o MST pedindo a destituição de ninguém’’, disse.
Quanto à permanência no cargo do delegado de Polícia de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradock, Lerner foi reticente. ‘‘Ele está em um cargo que é subordinado ao secretário’’, desconversou o governador. A Folha apurou que Oliveira proibiu Bradock de dar entrevistas. Fontes da Secretaria de Segurança avaliam que o delegado faz um bom trabalho, mas se atrapalha com o excesso de exposição na mídia.
O secretário diz que as críticas ao comportamento de Bradock ‘‘estão sendo ponderadas e analisadas’’. ‘‘Ele é competente, mas agora está lidando com uma questão social e de grande repercussão política, que exige uma visão estratégica da repercussão de suas atitudes’’, afirmou.
O governador garantiu que se reúne com a direção nacional do Incra ainda esta semana, mas não adiantou dia e local. ‘‘É preciso deixar o Incra à vontade’’, aconselhou.

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