O governador Jaime Lerner (PFL) decidiu ontem agilizar a desocupação das áreas invadidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que estão com reintegração de posse emitidas pela Justiça. Inicialmente, a desocupação vai começar em 10 áreas que já foram classificadas pelo Incra como produtivas. O comunicado dessa decisão foi feito no final da tarde de ontem pelo secretário especial de Assuntos Fundiários, José Carlos Araújo Vieira. Ele salientou que o governador não trabalha com a hipótese de recorrer à força policial.
Os detalhes da desocupação serão decididos em conjunto com os líderes do MST, em reunião que será realizada na sede do Incra, amanhã. ‘‘A intenção é conseguir o entendimento para uma desocupação pacífica’’, disse Vieira. Ele calcula que cerca de 1.200 famílias deverão ser deslocadas das áreas invadidas. As propriedades a serem desocupadas estão situadas em municípios de várias regiões, entre eles, Querência do Norte, Laranjal, Porecatu e Candói.
A decisão foi adotada pelo governador após conversar por duas vezes, ontem, com o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungman. Em seguida, numa reunião com secretários de Estado envolvidos com a questão agrária, o governador decidiu cumprir os mandados judiciais de reintegrações de posse. Segundo Vieira, o Estado reconhece a existência de 33 áreas que estão oficializadas com a reintegração de posse. As demais ainda não encaminharam documentação técnica completa para o governo estadual. Quanto a outras 23 áreas, o governo decidiu aguardar a avaliação final do Incra.
Lerner vem sendo pressionado pelas entidades ruralistas e pela UDR, que querem a desocupação das áreas que já têm a decisão judicial de reintegração de posse. Hoje, o secretário Ibrahim Faiad deverá receber o prefeito de Terra Rica, município do Noroeste que teve cinco áreas invadidas nos últimos dias. O presidente da UDR, Marcos Prochet, disse ontem que a entidade vai processar criminalmente os técnicos do Incra pelas ‘‘ vistorias tendenciosas que omitem informações importantes que classificariam as áreas invadidas como produtivas’’.

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