As tarifas de pedágios devem aumentar dentro de 15 dias. Ontem, o governador Jaime Lerner autorizou o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, a negociar o reajuste de preços. No entanto, Lerner condicionou o aumento à retirada da ação das concessionárias, impretada quando o governo estadual reduziu as tarifas pela metade, em julho passado. Além disso, ele quer a retomada das obras de duplicações das estradas do Anel de Integração. Até o fim da tarde, as empresas e a secretaria estadual não tinham entrado em um acordo.
O maior entrave é a definição de valores, já que em alguns casos as concessionárias pedem aumentos de até 120% sobre as atuais tarifas. Estes índices são também confirmados em um dos três pareceres entregues pela comissão que avaliou o reajuste. Dentro do governo, existe uma resistência em aceitar estes patamares, porque a medida é impopular.
Em nota oficial, o governador disse que as concessionárias estão pedindo valores maiores. ‘‘As empresas afirmam que têm empréstimos em dólar e que a dívida cresceu desde a desvalorização do real’’, diz. A própria Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias do Paraná (ABCR-PR) informou à Folha que quatro das seis concessionárias já estão rolando empréstimos bancários.
Para Lerner, a demora na realização de novas obras pode comprometer a conservação das rodovias do Anel. Porém, as concessionárias afirmam que estão realizando obras além do que a liminar garantiu, como a restauração de trechos atingidos por situações climáticas, como desabamento de encosta.
‘‘Queremos uma solução, sem abrir mão das obras’’, diz Lerner. O governo estadual está negociando com as empresas a retomada de 1.200 quilômetros de recuperação e mais de 300 quilômetros de duplicação.
A briga entre governo e concessionárias começou no mês seguinte da realização da concessão. Com a redução de 50% da tarifa, as concessionárias entraram com recurso e conseguiram liminar que as desobriga a cumprir o cronograma de obras previsto na redução do pedágio.

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