Lerner ameaça punir concessionárias
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Anna Camanducaia e Carmem Murara 
Arquivo FolhaSangue quenteLerner: Estou furioso e não vou admitir desrespeito com o usuárioO congestionamento em vários trechos das rodovias paranaenses durante o feriado de Páscoa fez com que o governador Jaime Lerner deixasse de lado sua típica serenidade para assumir uma postura contra os consórcios que vão explorar as rodovias. Irritado, Lerner ameaçou cancelar os contratos de algumas empresas. Ele preferiu não citar o nome de nenhuma delas, mas deixou um recado claro: Estou advertindo as concessionárias. O nosso contrato prevê sanções que podem chegar até à revisão dos contratos de concessão, disse, em tom agressivo.
Lerner considerou uma falta de respeito com o usuário a manutenção de máquinas e a continuidade das obras nas rodovias durante o feriado de Páscoa. Em alguns trechos, como o da BR-277 entre Ponta Grossa e Curitiba, os motoristas levaram até oito horas para percorrer 100 quilômetros. Durante a madrugada, presos na estrada, mais de 10 mil famílias sofreram com a falta de combustível, água e comida.
Pelo acordo firmado com o governo, as concessionárias deveriam suspender os trabalhos em dias de feriado ou em determinados horários, quando aumenta muito o tráfego de carros e caminhões. A Ecovia - consórcio que vai cobrar pedágio no trecho Curitiba a Paranaguá - foi a única concessionária a determinar a suspensão das obras.
Apesar de não ter ficado preso em nenhum engarrafamento, já que passou a Páscoa em Curitiba, Lerner não gostou do resultado das obras de concessão. Estou furioso e não vou admitir desrespeito com o usuário. Isso foi um descaso com a população, protestou.
Reunião - O diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, Paulinho Dalmáz, reuniu-se ontem com os representantes das empresas concessionárias das rodovias do Anel de Integração para saber a causa dos congestionamentos da Páscoa e evitar problemas nos próximos feriados - 21 de abril e 1º de maio. A reunião começou às 14h30 e às 18h30 ainda não havia terminado.
Representantes das empresas afirmaram que estavam preparados para um fluxo de 16 mil veículos por dia e que, na volta do feriado, este número teria aumentado para cerca de 50 mil veículos/dia. A partir de agora, as empresas se comprometem a liberar o tráfego nos pontos de obras, nos dias de maior movimento, sob pena de serem multadas em até R$ 2 mil por dia.


