Lerner acena com negociação
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2002
Silvana Leão Reportagem Local 
Durante visita ao Norte do Estado, ontem de manhã, o governador Jaime Lerner (PFL) falou sobre a greve das universidades estaduais, que já dura 138 dias. Ele reafirmou a intenção de repassar a estas instituições um percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado no Estado, o que garantiria a autonomia das universidades. A notícia já havia sido dada em entrevista à Rádio CBN/Tabajara anteontem e teve boa repercussão junto ao comando de greve da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Para o governador, a greve não tem mais razão de ser. Estamos abertos ao diálogo e à negociação. Uma população não pode se tornar refém de uma facção partidária dentro da universidade, criticou, sem esclarecer, porém, a que facção partidária estava se referindo. Lerner afirmou ainda que de 1994 para cá multiplicou por cinco o repasse de verbas às universidades paranaenses, que hoje representam R$ 352 milhões no orçamento do Estado.
A idéia de repassar parte do ICMS para as instituições de ensino criaria, na avaliação do governador, uma espécie de poupança, já que o valor recolhido pelo imposto é crescente. De janeiro a novembro de 2001, a arrecadação foi de R$ 4,4 bilhões, um valor 14,7% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. As universidades vão nadar em recursos, garantiu Lerner.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahraftig, confirmou que o projeto de lei que prevê o repasse de parte do ICMS para as universidades já está sendo preparado em conjunto com a Secretaria da Fazenda. Mas nem o secretário e nem o governador quiseram antecipar qual o percentual que seria destinado ao ensino superior. Vamos explicitar nos próximos dias, prometeu Lerner.
O governador disse ter certeza que a paralisação de professores e funcionários está no final. O que não podemos é gastar R$ 80 milhões com as instituições paradas. De acordo com informações do governo, foram pagos R$ 88 milhões à UEL, Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade do Oeste (Unioeste) durante o período de paralisação.
Para Lerner, este é o momento de repensar a universidade junto com a comunidade e criar condições de co-responsabilidade de todos junto ao futuro destas instituições. Este é o momento de cessarmos todo o movimento de facções políticas para nós caminharmos para uma solução definitiva em relação às nossas universidades. Segundo o governador, a proposta que permitirá a autonomia das universidades só não foi feita antes pelo momento emocional vivido, que permitiria todo tipo de exploração política. (Colaborou Luciano Augusto)


