Na escola municipal Francisco Pereira Almeida Júnior (Zona Leste), 23 alunos participam do projeto ''Tecendo Letras''. De acordo com as professoras Elizabete Amorim de Moraes Filho e Alessandra Moro Venâncio da Silva, a maioria das crianças apresentam dificuldades por defasagem ou distúrbios na aprendizagem. ''Temos também alunos de inclusão'', lembraram.
Apesar de estarem na segunda série, quando já era esperado que fossem capazes de interpretar pequenos textos, os estudantes lêem mas ainda não conseguem entender o conteúdo. É o caso de Bianca, 7 anos, que gosta de histórias de princesas e sonha com o dia em que poderá ler um livro sozinha. ''Quero aprender a ler para saber mais'', espera.
Heloísa, 8 anos, tem síndrome de Down, também frequenta o projeto na escola e já conseguiu realizar o sonho da amiga. ''Li o livro da Branca de Neve. Primeiro a minha mãe leu para mim'', contou ela. Ariel, 8, já lê algumas palavras e descobriu que a melhor maneira para aprender é não levar dúvidas para casa. ''Sempre pergunto quando não entendo.''
Os amigos Lucas e Mateus, ambos de 7 anos, vieram de outras escolas e tiveram que ser inseridos na grade de oito anos apesar de terem iniciado os estudos em escolas que já praticavam o sistema de nove anos. Mais novos que os colegas, eles se esforçam para dar conta dos conteúdos e acompanharem a turma. ''Quero aprender bastante e passar para a terceira série'', disse Mateus.
Na Zona Sul de Londrina, a implantação do ensino de nove anos também agravou o alcance do êxito no processo de alfabetização de algumas crianças matriculadas na Escola Municipal Bárbara Falkovski. A diretora Joceli Katia Pelisser Neves ressaltou, entretanto, que a mudança não é a única causa do problema.
''Temos alunos que faltam muito e não participam do contraturno. Se fossem assíduos, não estariam no projeto'', avaliou. Segundo ela, a falta de compromisso da família com as obrigações escolares é um dos principais entraves. ''Os pais não cuidam para que a criança venha à escola, faça tarefas. Sem o estímulo da família, os alunos não acompanham'', observou.
Ela acredita que a desestruturação familiar reflete no desempenho escolar, gerando estudantes apáticos e desinteressados. ''Quando eles não conseguem ler e escrever, ficam frustrados. Por isso é importante o professor incentivar a criança.'' (C.A.)

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