Casos como o do lavrador Anderson Cândido Costa, que morreu no último dia 2 vítima de leptospirose, são raros, mas a ocorrência da doença em animais é comum e exige cuidados. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma das poucas do País a possuir um laboratório para diagnóstico da bactéria Leptospira, é registrada uma média de 10 cães infectados por mês, nos períodos de maior ocorrência de chuvas. O laboratório existe há 12 anos e usa a mesma metodologia do Laboratório Central do Estado (Lacen).
Segundo o professor do curso de Medicina Veterinária Júlio Cesar de Freitas, responsável pelo Laboratório de Leptospirose, várias pesquisas são realizadas na universidade envolvendo a doença. ''Hoje se conhece mais sobre as formas de manifestação da bactéria e se sabe que a forma mais severa é a que menos ocorre.'' Freitas explica que os sintomas clássicos, como urina escura e icterícia, são poucos frequentes. ''É comum recebermos animais com sintomas inespecíficos, como febre, vômito, apatia e falta de apetite, que a princípio podem ser sinais de várias doenças. Por isso é preciso levantar com detalhes a situação, principalmente no que se refere à presença de ratos''.
No ambiente urbano, a Leptospira infecta acima de tudo os cães, pois os gatos são bem mais resistentes. Já nas propriedades rurais qualquer espécie de reprodução, como bovinos, suínos, equinos e caprinos, podem ser vítimas da bactéria. O laboratório da UEL presta serviços para produtores de várias regiões do País e para as clínicas particulares da cidade.
Freitas esclarece que em qualquer espécie animal, a urina é a via de eliminação da bactéria, que pode penetrar no corpo humano (ou em outro animal) através de lesões na pele, inclusive as muito pequenas, invisíveis a olho nu. Uma pesquisa realizada na UEL concluiu que um dos principais riscos para os cães é o contato com animais de rua. Já o ser humano, quando infectado, não transmite a doença.
''Assim que o diagnóstico é feito, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, com medicamento específico e atenção especial para não agravar o quadro renal, já que os rins são os principais órgãos afetados pela doença. O efeito é quase instantâneo e embora os sintomas continuem, a bactéria deixa de ser transmitida'', esclarece o professor. Diante da possibilidade de leptospirose, deve-se evitar qualquer contato com a urina do animal e o local que recebê-la deve ser lavado com uso de desinfetante, de preferência água sanitária.
Como é impossível saber se a manifestação da doença será ou não na sua forma mais severa, o melhor a fazer, lembra o professor, é evitar a presença de ratos - que são o reservatório da bactéria e o principal transmissor para o homem -, não deixando alimentos disponíveis. ''Ração em recipientes abertos no quintal, por exemplo, são um chamariz para estes roedores'', alerta Freitas. Locais molhados e protegidos do sol também são fator de proteção para a bactéria.

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