A lentidão da Justiça Federal preocupa a família de Rosimary Garcia Ferreira. A londrinense, de 29 anos, está presa no Instituto Correcional Bom Pastor, em Assunção, aguardando julgamento desde maio de 96. A Justiça Federal, segundo a família, está demorando a entregar a carta rogatória do Juiz da 1ª Instância no Criminal do 2º Turno da Circunscrição Jurídica de Assunção (Paraguai), Gustavo Ocampos Gonzales. Por intermédio da carta, o juiz paraguaio pede que a Justiça brasileira colha depoimentos de onze pessoas - amigos e vizinhos de Rosimary, além de políticos locais.
‘‘Esses depoimentos são importantíssimos para a defesa. Só eles podem ajudar a defesa a provar que ela foi uma inocente útil nas mãos da quadrilha que faz o tráfico’’, afirma o advogado Jorge Custódio, irmão de Rosimary. Ele explica que a carta rogatória foi registrada em Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF) no início de fevereiro. O STF expediu as intimações e desde o início de junho a carta rogatória está na Procuradoria Geral da República, também em Brasília, aguardando despacho do procurador. Só depois ela será encaminhada pelo STF à Justiça Federal de Londrina.
A família teme que, com a demora, a Justiça paraguaia realize o julgamento sem os depoimentos. Com a impossibilidade de transferir o julgamento para o Brasil, a família está trabalhando para provar a inocência de Rosimary. ‘‘Nossas únicas armas são o histórico de bons antecedentes de minha irmã, e os depoimentos confirmando como ela foi conduzida a acreditar nos traficantes, caindo em uma armadilha.’’
Entre os depoimentos pedidos pela Justiça Paraguaia, está o do vereador Célio Guergoletto (PMDB), autor do projeto que originou a lei 6.676 de 5 de julho de 96. A lei tornou obrigatória a identificação do autor e responsável por anúncios veiculados nos meios de comunicação da Cidade. Antes da lei, não era exigida identificação das pessoas que faziam anúncio. Segundo Custódio, Rosimary foi apanhada na ‘‘rede do tráfico’’ ao atender um anúncio de secretária-executiva para o casal de empresários.
O alto custo das viagens é outra dificuldade enfrentada pela família. Rosa Helena Garcia Ferreira, irmã de Rosimary, explica que, apesar do apoio do consulado brasileiro em Assunção, a família não consegue fazer visitas frequentes a ela. ‘‘Entre passagens de ônibus e estadia, a viagem fica em mais de R$ 500,00’’, explica. Para angariar recursos, os familiares estão vendendo desenhos com mensagens religiosas, feitos por Rosimary.

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