Lendas do pinheiro
LENDAS DO PINHEIRO
Se o pinheiro canta, quando embaladas as saus folhas, pelas brisas da madrugada, indica noivado na vizinhança.
Dizem que, quando o pinheiro - o rei das florestas - deixa cair as folhas, no silêncio da noite, é um prenúncio mau que se acentua na seca dos campos e, consequentemente, na sensível diminuição da produção da seára.
Quando as pinhas são desenvolvidas e os frutos se apresentam crescidos é um sinal de fartura, todos os outros frutos se desenvolvem na terra.
Quando os galhos do pinheiro rangem, à noite, com o impulso do vento, é mau augúrio - alguém está para morrer e o pinheiro está oferecendo madeira para o caixão.
Se cai, repentinamente, um dos galhos do pinheiro, produzindo, na floresta, forte zoada, é porque as águas dos rios vão transbordar em breve.
Quando se derruba um pinheiro e o machado apresenta a lâmina virada é indício de lutas renhidas, nas tribos indígenas ou entre a vizinhança.
Se pela manhã desprendem-se gotas cristalinas, das ramagens do pinheiro, é a noiva que chora, ao deixar o lar paterno.
Quando o pinheiro cai inteiro, para nunca mais se erguer, alguém caiu varado por bala, em sangrenta luta.
Quando as pinhas caem, sem nenhum contato, é augúrio de paz e felicidade.
Quando o sol desponta e as ramagens do pinheiro inclinam-se para o astro que surge, determina bom tempo; mas se elas conservam, sem vivacidade, despreocupadas dos raios de sol, é aviso certo de fortes e prolongados temporais.
(Obra de Alberico Figueira, 1939)





