Enquanto verdadeiras aglomerações se formavam nos cemitérios de Londrina, naquele que é o mais antigo da cidade e está praticamente dentro da zona urbana, no patrimônio Heimtal (zona norte), o sossego reinou absoluto no dia de ontem. Nenhum vendedor de flores ou velas, pouco barulho e raros visitantes circulando em meio a jazigos que já se aproximam do primeiro centenário.
De acordo com o Museu Histórico, em 1931 os primeiros moradores do patrimônio, quase todos de origem alemã, começaram a ser sepultados no pequeno cemitério do patrimônio que é anterior ao núcleo urbano de Londrina. Nas sepulturas mais antigas encravadas na terra vermelha, os traços germânicos são fortes e até os epitáfios estão escritos na língua de Karl Marx. As datas natalícias de muitos mortos que ali descansam em paz são do século 19.
Muitos túmulos deixam a desejar quanto ao estado de conservação e sofreram com a ação de vândalos. Entre aqueles que ainda guardam o registro da data de morte daqueles que ali jazem, o de uma moça que partiu em 1938, aos 18 anos, é a sepultura mais antiga.
''É uma pena que o poder público não trate esse cemitério com mais carinho. Aqui está uma parte da história de Londrina, porém, abandonada. Ladrões levaram relíquias importantes. E para nós, que temos parentes aqui, fica o desconforto da falta de estrutura'', lamentou Rubens Dela Coleta, que visitava o túmulo da filha. Não há calçamento no cemitério e nem segurança à noite.
Nos outros cemitérios da cidade, milhares aproveitaram a atípica manhã ensolarada de um Dia de Finados para visitar os entes queridos. Segundo a superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), Camila Kauam Menezes, o movimento já era intenso no domingo e a previsão era que 200 mil pessoas passassem pelos cinco cemitérios municipais e oito distritais da cidade.
No Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte), o maior da cidade (11 mil dos 25 mil jazigos existentes em Londrina estão localizados lá) e que curiosamente fica pertinho do patrimônio Heimtal, o movimento era intenso já nas primeiras horas da manhã. Famílias depositavam flores, velas e rezavam em intenção aos que já se foram. O motorista Adivaldo João Alves de Souza acompanhou os parentes na visita ao jazigo onde estão enterrados avó, irmão e mãe. ''Sempre trazemos flores e oramos por eles. É uma lembrança respeitosa'', afirmou.
No Cemitério Padre Anchieta (Jardim Ideal, Zona Leste), o casal Lucas e Mayara Guassu veio de Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho) para homenagear tios e bisavó enterrados no local. ''Escolhemos o período da manhã porque não está tão quente e movimentado'', justificou Mayara.
O Cemitério São Pedro também recebeu milhares de visitantes. As irmãs Inês Garcia Balarotti e Dirce Garcia Figueiredo homenagearam as 13 pessoas da família enterradas.
Acendendo velas no cruzeiro, a aposentada Anastácia Limper constatava com tristeza que mais da metade da família já se foi. ''As velas e orações são para eles saberem que não os esquecemos. Meu pai sempre me presenteou tanto e pedia apenas que quando morresse acendesse uma velinha para ele'', recordou-se emocionada.
Um túmulo muito visitado no Cemitério São Pedro foi do menino José Osvaldo. Atropelado no dia da primeira eucaristia, a ele atribuem-se milagres. O servidor público José Peres visita todos os Finados o túmulo do menino em agradecimento a uma graça alcançada.''Quando criança tinha sérios problemas nos joelhos, quase não andava. Sarei graças à água que saia de duas bicas localizadas aqui'', contou apontando para o túmulo. (Colaborou Caroline Vicentini)

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