Leitura do processo deve durar 3 dias
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Cristine Pieske 
Marcelo AlmeidaDisputaPromotor Ribas queria que a leitura fosse intercalada com a exibição de fitas de vídeos. Defesa alegou que isto conduziria interpretação dos juradosDois advogados e três professores de um colégio estadual começaram a ler ontem, no Fórum de São José dos Pinhais, as quase 1.500 páginas de provas processuais apresentados pelos advogados de acusação e defesa do Caso Evandro. A leitura deverá ser encerrada apenas na sexta-feira à tarde, quando serão iniciados os interrogatórios das 29 testemunhas arroladas no processo. A decisão de pedir que as peças fossem lidas por advogados e professores partiu da própria juíza, que solicitou a ajuda de pessoas que tivessem boa dicção.
Antes que a fase de leitura das peças fosse iniciada, os advogados de defesa e de acusação se desentenderam quanto à metodologia usada para a apresentação das provas. A promotoria, que apresentou um volume contendo quase 600 páginas de documentos, queria que a leitura fosse intercalada com a exibição de fitas de vídeos. As fitas, segundo o promotor Celso Ribas, conteriam mais de 18 horas de gravação de suspostas confissões e descrições do assassinato do menino Evandro Caetano. A defesa reagiu, dizendo que a interrupção aleatória para exibição de fitas poderia conduzir a interpretação dos jurados. A juíza Marcelise Weber Lorite, deferiu o pedido da defesa, e as fitas só srão mostradas depois de encerrada a leitura.
A juíza também proibiu que as peças possivelmente ligadas à autoria do crime sejam apresentadas aos jurados. Ela determinou que somente poderão ser exibidas as provas relativas à materialidade do crime (forma como a morte aconteceu). No final da tarde, durante a leitura das peças pela acusação, a juíza dispensou as rés Celina e Beatriz do tribunal. Segundo ela, a medida foi tomada para evitar que as rés sofressem mais desgaste físico. Na noite de terça-feira, no segundo dia do julgamento, Celina passou mal e quase desmaiou. Ela foi atendida por uma médica da família que estava no tribunal. Ontem, Celina permaneceu o tempo todo sentada e não demonstrava sinais claros de cansaço.
Todas as testemunhas foram recolhidas ontem à tarde pela Justiça e passaram a estar incomunicáveis. Desde então, a imprensa passou a estar autorizada a divulgar os detalhes do julgamento, cuja publicação fôra vetada pela juíza. Os jurados e as rés, que estavam hospedados na Academia Policial do Guatupê, foram transferidos para a Escola da Polícia Civil, para a sede campestre do Sindicato dos Metalúrgicos e para um terceiro local não divulgado pela juíza. Segundo ela, houve problemas com a acomodação das pessoas no Guatupê, que havia disponibilizado apenas o alojamento dos recrutas para os participantes do julgamento.


